[Foto: Ilustrativa/ Google AI]
- A Anac estabeleceu novos limites de capacidade (até 100 Wh sem aviso prévio) e restringiu a quantidade para dois power banks por passageiro.
- Os carregadores são terminantemente proibidos na bagagem despachada e no compartimento superior, devendo viajar em bolsas sob o assento.
- O uso das baterias a bordo, assim como sua conexão nas entradas USB das aeronaves, foi proibido para evitar o risco de incêndios.
Viajar com baterias e carregadores portáteis acaba de ficar mais rigoroso. Com base em recomendações internacionais de segurança formuladas pela Organização da Aviação Civil Internacional (Oaci), a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) atualizou os protocolos para o embarque de power banks em aeronaves civis. O objetivo central é conter os perigos associados às baterias de lítio, que possuem histórico de superaquecimento e princípios de incêndio em voos.
A nova regulação, oficializada pela revisão da Instrução Suplementar (IS nº 175-001M), já está em vigor.
Limites de potência e quantidade
Resumo das Novas Regras da Anac
Para transporte de Carregadores Portáteis (Power Banks)
Exclusivo na Bagagem de Mão
É terminantemente proibido despachar os carregadores no porão do avião. Eles devem ir com você na cabine.
Limite de Quantidade
Cada passageiro pode transportar no máximo dois aparelhos.
Limites de Capacidade (Wh)
A entrada no voo depende da potência do seu power bank:
Uso Proibido a Bordo
É proibido recarregar o próprio power bank dentro do avião. A Anac também sugere não usá-lo para carregar outros dispositivos durante o voo.
Segurança Obrigatória
Os terminais dos carregadores devem estar isolados contra curto-circuito ou o produto deve estar em sua embalagem original.
Como e onde guardar o equipamento no avião
O envio de power banks na mala despachada (que vai no porão da aeronave) continua estritamente proibido. No entanto, houve mudanças na forma de acomodação dentro da cabine.
Os equipamentos não podem mais ser guardados no compartimento superior (junto às malas de mão convencionais). Eles devem ser transportados obrigatoriamente dentro de uma mochila, bolsa ou item pessoal que fique acomodado sob o assento à frente do passageiro ou nos bolsões da poltrona.
O perigo das baterias de lítio
A principal motivação da Anac para o cerco aos power banks é o comportamento das baterias de lítio. Esses componentes podem apresentar falhas técnicas que resultam em superaquecimento, gerando um sério risco de incêndios em pleno voo. Para evitar cenários de perigo, as regras de limite de capacidade e uso a bordo foram endurecidas.
Entenda a medida: Como converter mAh para Wh?
A nova regra da Anac utiliza a unidade Wh (Watt-hora) para definir os limites, pois ela mede a energia total armazenada na bateria, o fator crucial para calcular os riscos de um equipamento. O problema é que a maioria dos consumidores conhece a potência dos seus carregadores pela sigla mAh (miliampere-hora), que é o número estampado com maior destaque nas embalagens do produto.
Para saber se o seu aparelho está dentro da zona verde de até 100 Wh, basta fazer uma conversão simples. Considerando que a voltagem padrão (V) das baterias de lítio internas é de 3,7 Volts, a conta é a seguinte: multiplique o valor em mAh por 3,7 e divida o resultado por 1000.
Na prática, o viajante comum dificilmente terá problemas. Veja a equivalência dos modelos mais populares do mercado:
- Carregadores de 10.000 mAh: Equivalem a 37 Wh. Estão totalmente liberados.
- Carregadores de 20.000 mAh: Equivalem a 74 Wh. Também estão totalmente liberados e não exigem aviso prévio.
Vale lembrar que você nem sempre precisará fazer essa conta. Muitos fabricantes já gravam a capacidade exata em Wh na parte traseira do próprio aparelho, em letras miúdas, junto à indicação tradicional de mAh.
Companhias aéreas podem ser mais rígidas
Segundo a Anac, antes de embarcar, o passageiro deve entrar em contato direto com a sua companhia aérea. Como a própria Agência recomenda análises de adequação de procedimentos internos (conforme a IS n° 175-001), as empresas têm autonomia para adotar medidas e restrições ainda mais rigorosas, baseadas em suas próprias avaliações de risco operacional.
Base regulatória
A nova regulação foi oficializada pelo Superintendente de Padrões Operacionais da Anac. O documento aprova a Instrução Suplementar “Transporte de artigos perigosos em aeronaves civis” (IS nº 175-001M), oriunda do processo nº 00058.026597/2026-02.