Mosquito Aedes | Imagem: Ilustrativa / Google AI
[Imagem: Ilustrativa / Google AI]
- Vítimas fatais: Dois homens, de 64 e 54 anos, morreram em Lagoinha; estado já registra cinco óbitos no total.
- Perfil dos casos: 100% dos pacientes diagnosticados em 2026 não possuíam histórico de imunização.
- Alerta de saúde: Vacina está disponível gratuitamente em todas as UBSs e deve ser tomada 10 dias antes da exposição ao risco.
O Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo (CVE-SP) confirmou, na última quinta-feira (14/05), a ocorrência de dois novos óbitos por febre amarela no estado. Com a atualização, São Paulo atinge a marca de nove casos da doença em 2026, resultando em cinco mortes até o momento. As vítimas mais recentes são dois homens, de 64 e 54 anos, residentes na cidade de Lagoinha, na região do Vale do Paraíba.
Nenhuma das pessoas infectadas havia se vacinado contra a febre amarela. Diante deste cenário, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) intensificou o alerta para a importância da imunização, que é a principal ferramenta de controle da enfermidade.
Cenário epidemiológico no Vale do Paraíba e Sorocaba
O Vale do Paraíba concentra o maior volume de notificações. Ao todo, a região registrou oito casos distribuídos entre as cidades de Cunha, Cruzeiro e Lagoinha. Somente em Lagoinha, foram confirmados quatro óbitos, enquanto Cunha registrou uma morte.
Na região de Sorocaba, houve o registro de um homem de 43 anos, morador de Araçariguama, que contraiu a doença, mas evoluiu para a cura. Assim como os casos fatais, este paciente também não estava vacinado.
Orientações e prevenção
A febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda causada por um vírus transmitido pela picada de mosquitos silvestres em zonas de mata. Não existe transmissão direta de pessoa para pessoa. Um sinal importante de alerta é a morte de macacos em determinadas regiões, o que indica a circulação do vírus. O avistamento de primatas mortos deve ser reportado imediatamente às autoridades de saúde locais.
De acordo com a diretora do CVE-SP, Tatiana Lang:
“A vacinação é a principal forma de prevenção contra a febre amarela e está disponível gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde. É fundamental que a população verifique a situação vacinal, especialmente para aqueles que residem ou viajam para áreas de risco, garantindo a proteção adequada”.
A recomendação é que a vacina seja aplicada pelo menos 10 dias antes de qualquer exposição a áreas rurais, de mata ou regiões com circulação viral comprovada.
Quem deve se vacinar?
Segundo informou o Governo do Estado de São Paulo, a vacina faz parte do calendário de rotina e está disponível em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs). O esquema vacinal atual é:
- Crianças: Uma dose aos 9 meses e um reforço aos 4 anos de idade.
- Pessoas que receberam apenas uma dose antes dos 5 anos: Devem tomar uma dose de reforço.
- Pessoas de 5 a 59 anos (não vacinadas): Devem receber dose única.
- Doses fracionadas (2018): Quem recebeu a dose fracionada durante as campanhas emergenciais de 2018 deve procurar uma UBS para verificar a necessidade de atualização da caderneta.
Os sintomas iniciais da doença incluem febre, calafrios, dor de cabeça intensa, dores nas costas e no corpo, náuseas, vômitos, fadiga e fraqueza. Ao apresentar os sinais, a orientação é buscar atendimento médico imediato.
Alerta Continental: A Expansão do Vírus na América do Sul
A situação observada em São Paulo não é um fato isolado, mas parte de um contexto regional preocupante. Em 20 de março, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) emitiu um novo alerta epidemiológico devido à transmissão sustentada de febre amarela em diversas regiões da América do Sul. O documento oficial aponta que o vírus está sendo detectado em áreas geográficas sem registro de transmissão recente, o que inclui não apenas o território paulista, mas também o departamento de Tolima, na Colômbia.
Apenas nas primeiras sete semanas de 2026, foram documentados 34 casos em humanos com 15 mortes distribuídos em quatro países: Bolívia, Colômbia, Peru e Venezuela. Segundo a agência, a circulação do vírus fora dos focos habituais da bacia amazônica eleva drasticamente o risco de exposição para populações que, anteriormente, não eram consideradas em zona de risco.
O “Fenômeno Esperado” e o Risco de Transmissão Urbana
Embora a reativação periódica do ciclo de transmissão silvestre, que envolve mosquitos selvagens e primatas, seja classificada pela OPAS como um “fenômeno esperado” na região, o surgimento de casos em áreas não costumeiras vem sendo notificado desde setembro de 2024. O grande temor das autoridades sanitárias é a possibilidade de transmissão urbana. Com o vírus circulando próximo a grandes centros, existe o risco real de o mosquito Aedes aegypti espalhar a doença diretamente entre pessoas, o que geraria surtos de rápida disseminação.
A gravidade da doença é evidenciada pelos números: em 2025, a taxa de letalidade da febre amarela atingiu 41%, um índice considerado extremamente alto. Como a enfermidade não possui tratamento específico, a vacinação permanece como a única barreira eficaz. A OPAS reforça que a maioria dos casos confirmados entre 2025 e 2026 ocorreu em indivíduos não vacinados, mantendo o risco para a saúde pública nas Américas em nível elevado.
Metas de Imunização e Monitoramento
Para conter o avanço, a organização internacional orientou os Estados-membros a fortalecerem a vigilância de epizootias (morte de macacos), que funcionam como um sinal precoce da presença viral. A meta estabelecida é atingir 95% de cobertura vacinal nas populações expostas e manter estoques estratégicos de vacinas para respostas rápidas.