[Foto: Ilustrativa / LensGO]
- Uso de Inteligência Artificial no setor de saúde cresce e atinge quase um terço das unidades com mais de 50 leitos.
- IA generativa é a modalidade preferida, presente em 76% dos estabelecimentos que adotam a tecnologia.
- Barreiras como custos elevados e falta de prioridade institucional ainda travam avanço em larga escala.
A transformação digital na saúde brasileira atingiu um novo patamar em 2025. Segundo a 12ª edição da pesquisa TIC Saúde, divulgada nesta terça-feira (12/05) pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), 18% dos estabelecimentos de saúde do país já utilizam Inteligência Artificial (IA). O índice ganha tração em estruturas maiores: o percentual sobe para 31% nas unidades com mais de 50 leitos e para 29% nos Serviços de Apoio Diagnóstico e Terapêutico (SADT).
Os dados, levantados pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) e pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), mostram que o foco atual é a otimização operacional. A IA tem sido aplicada prioritariamente na organização de processos clínicos e administrativos, seguida pela segurança digital (36%) e busca por eficiência nos tratamentos (32%).
O domínio da IA Generativa e novos horizontes
Entre os estabelecimentos que já aderiram à tecnologia, a IA generativa é a grande protagonista, adotada por 76% das instituições. Outras técnicas de destaque são a mineração de texto (52%) e a automação de processos (48%).
A mudança metodológica na pesquisa de 2025 permitiu um olhar mais amplo sobre o setor, investigando todos os estabelecimentos com computador. “Nos últimos anos, observamos uma rápida disseminação das tecnologias de Inteligência Artificial. Por isso, tornou-se importante ampliar a investigação para compreender como essas tecnologias vêm sendo incorporadas pelo conjunto dos estabelecimentos de saúde”, explica Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br.
Barreiras e o desafio dos dados
Apesar do entusiasmo, o caminho para a consolidação da IA enfrenta percalços. Os dados mostram que nos hospitais de grande porte, os gestores apontam como obstáculos os custos elevados (63%), a falta de priorização institucional (56%) e limitações técnicas. Já nos SADT, a falta de interesse (60%) e preocupações com a privacidade dos dados (50%) são os entraves dominantes.
Paralelamente, o uso de Big Data ainda é incipiente: apenas 9% dos estabelecimentos realizam análises com essa tecnologia, concentrando-se em instituições privadas (11%) e hospitais maiores (30%).
“O avanço do uso da Inteligência Artificial na saúde exige profissionais qualificados para que essa tecnologia seja aplicada de forma segura e responsável. Além disso, a consolidação de diretrizes e marcos regulatórios é fundamental para sustentar a adoção ética da IA em um setor que lida com informações sensíveis e impacta diretamente no cuidado com os pacientes”, destaca Luciana Portilho, coordenadora de projetos de pesquisas do Cetic.br.
Interoperabilidade e telessaúde: O gap público-privado
A digitalização é uma realidade para 92% das unidades de saúde, mas a comunicação entre sistemas ainda falha. Apenas 44% dos estabelecimentos conseguem enviar ou receber encaminhamentos eletrônicos. O setor público leva vantagem na integração, com 64% de conectividade contra apenas 28% no setor privado.
A Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) surge como pilar estratégico, conectando 44% dos estabelecimentos nacionais, com forte presença nas Unidades Básicas de Saúde (72%). “A interoperabilidade entre os sistemas de saúde pode contribuir para ampliar a eficiência dos serviços e melhorar a experiência do paciente, ao facilitar o compartilhamento seguro de informações clínicas entre diferentes estabelecimentos”, ressalta Portilho.
No campo da telessaúde, a interação online com equipes cresceu exponencialmente, saltando de 16% em 2023 para 35% em 2025. A teleconsultoria lidera as modalidades (36%), evidenciando a expansão do atendimento remoto e a colaboração entre profissionais.
Segurança da Informação sob alerta
A proteção de dados pessoais, regida pela LGPD, ainda carece de maturidade. Embora 42% possuam políticas formais de segurança, apenas 30% adotam medidas estruturadas, como a definição de um encarregado de dados ou planos de resposta a incidentes. O treinamento de funcionários, no entanto, já é realidade em quase metade das instituições (47%).