Compras em um supermercado | Imagem: Ilustrativa / Google AI
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- Desaceleração no mês: A inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA, ficou em 0,67% em abril, perdendo força em relação a março (0,88%), mas acumula 4,39% nos últimos 12 meses.
- Vilões do bolso: Alimentos e bebidas (puxados por cenoura, leite e cebola) e o grupo de saúde (impactado pelo reajuste dos remédios) foram os principais responsáveis pela alta do indicador.
- O que segurou o índice: O grupo de Transportes teve forte desaceleração, puxado por uma queda expressiva de 14,45% no preço das passagens aéreas e gratuidades em ônibus urbanos.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, registrou alta de 0,67% em abril. Os dados foram divulgados na manhã desta terça-feira (12/05) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Embora o resultado mostre uma desaceleração em comparação a março (0,88%), o indicador já acumula uma alta de 2,60% no primeiro quadrimestre do ano e atinge 4,39% no acumulado dos últimos 12 meses.
Para o consumidor, o alívio no índice geral não se refletiu de forma homogênea nas prateleiras. Os grupos de “Alimentos e bebidas” e “Saúde e cuidados pessoais” foram os grandes responsáveis por puxar a inflação para cima, enquanto a queda no preço das passagens aéreas ajudou a frear o índice.
| Período | Taxa |
|---|---|
| Abril de 2026 | 0,67% |
| Março de 2026 | 0,88% |
| Abril de 2025 | 0,43% |
| Acumulado no ano | 2,60% |
| Acumulado 12 meses | 4,39% |
Supermercado mais caro: o peso do clima e do frete
O grupo de Alimentos e Bebidas registrou taxa de 1,34%, respondendo pelo maior impacto no mês (0,29 ponto percentual). A alimentação dentro de casa subiu 1,64%, com saltos expressivos nos preços da cenoura (26,63%), leite longa vida (13,66%), cebola (11,76%) e tomate (6,13%). As carnes também registraram elevação de 1,59%. Como contrapeso, itens como o café moído (-2,30%) e o frango em pedaços (-2,14%) ficaram mais baratos.
O gerente do IPCA, José Fernando Gonçalves, explicou a dinâmica de preços no setor alimentício, destacando fatores sazonais e de transporte:
“Alguns alimentos, de forma geral, apresentam uma restrição de oferta, o que provoca um aumento no nível de preços. No caso do leite, com a chegada do clima mais seco, sazonal no período, há redução de pasto, necessitando da inclusão de ração para os animais, o que eleva os custos. Não podemos deixar de mencionar a elevação no preço dos combustíveis, que afeta o preço final dos alimentos por conta do custo do frete”.
Gonçalves também comparou o primeiro quadrimestre atual (3,44% em 2026) com o mesmo período do ano anterior (3,70% em 2025). Segundo ele, “em 2025 ainda havia o efeito das altas do café e do tomate. Já desde julho de 2025 o café vem registrando queda nos resultados mensais.”
Quem optou por comer fora de casa também sentiu a alta. A alimentação fora do domicílio subiu 0,59%, com lanches (0,71%) e refeições (0,54%) registrando aumentos.
Reajuste de remédios e impacto nos transportes
O segundo grupo que mais pesou no bolso foi “Saúde e cuidados pessoais”, com avanço de 1,16%. O destaque negativo para o consumidor foi a alta dos produtos farmacêuticos (1,77%), reflexo direto da autorização de reajuste de até 3,81% nos preços dos medicamentos, válida desde 1º de abril. Artigos de higiene pessoal também subiram (1,57%), puxados pelos perfumes (1,94%).
Sobre o setor de saúde, o gerente do IBGE detalhou a diferença em relação ao ano passado: “O movimento de preços é semelhante nos dois períodos, com influência, de forma geral, do plano de saúde e dos artigos de higiene pessoal. Destaca-se o reajuste dos medicamentos, aprovado a partir de abril, com limite de até 5,09% em 2025 e 3,81% em 2026. Importante salientar, também, que a desvalorização do Real frente ao dólar nos primeiros meses de 2025 estava maior do que agora em 2026, e a moeda estrangeira regula insumos importados utilizados na indústria farmacêutica.”
No grupo de Transportes, a inflação quase parou, passando de 1,64% em março para apenas 0,06% em abril. O grande “salvador” foi o barateamento das passagens aéreas, que despencaram 14,45%. Outro fator de alívio foram os ônibus urbanos (-1,13%) e o metrô (-0,38%), impactados por gratuidades e reduções de tarifas aos domingos e feriados em capitais como São Paulo, Brasília e Salvador.
Apesar disso, os combustíveis continuaram em alta (1,80%). A gasolina, embora tenha desacelerado (passou de 4,59% para 1,86%), foi o subitem com o maior impacto individual no IPCA do mês. O óleo diesel subiu 4,46% e o etanol, 0,62%.
Contas de casa e cenário regional
Em “Habitação” (0,63%), os brasileiros sentiram o aumento do gás de botijão (3,74%) e da energia elétrica residencial (0,72%), afetada por reajustes em várias capitais, como Rio de Janeiro, Campo Grande e Salvador.
Na análise por regiões, Goiânia sentiu a inflação mais pesada do país (1,12%), castigada pelos aumentos da gasolina e da taxa de água e esgoto. Na ponta oposta, Brasília teve a menor variação (0,16%), beneficiada pelas quedas nas passagens de avião e combustíveis.
INPC: O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos, também desacelerou, ficando em 0,81% em abril (ante 0,91% em março). No acumulado de 12 meses, o INPC bateu 4,11%.
Raio-X da Inflação: Tira-dúvidas
INPC: Inflação para famílias de menor renda desacelera em abril
Além do IPCA, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) também apresentou desaceleração em abril, fechando com alta de 0,81%. O resultado ficou 0,10 ponto percentual abaixo do registrado em março (0,91%). Com esse desempenho, o índice, que reflete o custo de vida para famílias com rendimento de um a cinco salários mínimos, acumula uma alta de 2,70% no ano e chega a 4,11% no acumulado dos últimos 12 meses.
A movimentação dos preços mostra que os produtos alimentícios perderam fôlego no mês, passando de uma variação de 1,65% em março para 1,37% em abril. Já o grupo de produtos não alimentícios registrou uma leve oscilação positiva no ritmo de queda, saindo de 0,67% para 0,63% no mesmo período. Comparativamente, o índice atual é superior ao registrado em abril de 2025, quando a taxa havia ficado em 0,48%.
No cenário regional, o impacto no bolso foi mais severo em São Luís (1,16%), impulsionado principalmente pela alta de 7,03% no gás de botijão e de 2,23% nos artigos de higiene pessoal. Já Brasília registrou a menor variação do país (0,09%), beneficiada diretamente pelo recuo nos preços das passagens aéreas (-10,88%) e do ônibus urbano (-6,58%).
Calculado pelo IBGE desde 1979, o INPC abrange dez regiões metropolitanas e seis municípios brasileiros. Para o resultado de abril, o instituto comparou os preços coletados entre os dias 1º e 30 do mês de referência com a base de preços vigentes em março, consolidando o cenário de arrefecimento da inflação para as famílias assalariadas.
| Região | Março (%) | Abril (%) | Acum. Ano (%) |
|---|---|---|---|
| São Luís | 1,26 | 1,16 | 3,00 |
| Campo Grande | 1,01 | 1,15 | 2,69 |
| Goiânia | 0,53 | 1,14 | 2,49 |
| Belém | 1,18 | 1,06 | 3,06 |
| Aracaju | 0,80 | 1,01 | 2,70 |
| Recife | 1,01 | 0,97 | 2,96 |
| Rio de Janeiro | 0,83 | 0,92 | 2,68 |
| Fortaleza | 0,80 | 0,80 | 3,24 |
| Porto Alegre | 1,03 | 0,77 | 2,33 |
| Salvador | 1,52 | 0,77 | 3,19 |
| Belo Horizonte | 1,03 | 0,76 | 2,94 |
| Vitória | 0,74 | 0,74 | 2,54 |
| Rio Branco | 0,33 | 0,71 | 1,89 |
| São Paulo | 0,72 | 0,69 | 2,62 |
| Curitiba | 0,67 | 0,66 | 1,91 |
| Brasília | 1,04 | 0,09 | 1,62 |
| BRASIL | 0,91 | 0,81 | 2,70 |
*Com informações de IBGE