Eduardo Bolsonaro | Foto: Mario Agra / Câmara dos Deputados
[Foto: Mario Agra / Câmara dos Deputados]
- A Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou ao STF o pedido de condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro pelo crime de coação no curso do processo.
- O Ministério Público Federal aponta que ele articulou sanções dos EUA, como um tarifaço, para tentar impedir a condenação de Jair Bolsonaro.
- A PGR ressalta que as ações de Eduardo causaram graves prejuízos à economia do Brasil e que sua conduta não está protegida pela imunidade parlamentar.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou nesta segunda-feira (11/05) as alegações finais ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O procurador-geral da República, Paulo Gonet, acusa o ex-parlamentar da prática continuada do crime de coação no curso do processo, motivada por tentativas de interferência em ações penais que tramitam na Corte.
O inquérito, cuja denúncia foi aceita pelo STF em novembro do ano passado, investigou a atuação de Eduardo junto ao governo dos Estados Unidos. O objetivo, segundo a acusação, era promover retaliações contra o Brasil, como a imposição de um tarifaço sobre as exportações e a suspensão de vistos de ministros do governo federal e do Supremo, para forçar a paralisação do processo que investigou a trama golpista.
A motivação principal, de acordo com o documento assinado por Gonet, seria garantir a impunidade do ex-presidente Jair Bolsonaro e do codenunciado Paulo Figueiredo.
“Comprovou-se que o réu deliberadamente se utilizou de graves ameaças contra as autoridades responsáveis pelo julgamento da AP 2.668, algumas concretizadas, a fim de favorecer o interesse de seu pai, livrando-o de qualquer responsabilização criminal”, destacou o procurador-geral nas alegações finais.
Impacto econômico e confissões públicas
A PGR detalhou que as ameaças não ficaram apenas no campo retórico. As medidas restritivas aplicadas pelo governo norte-americano, apelidadas pelo próprio Eduardo de “Tarifa-Moraes”, atingiram severamente o país. Gonet foi categórico ao descrever os danos causados pela articulação internacional do ex-deputado.
“A estratégia criminosa culminou em prejuízos concretos a diversos setores produtivos onerados pelas sobretarifas norte-americanas, alcançando, em última instância, trabalhadores vinculados a essas cadeias econômicas, completamente alheios aos processos penais atacados”, completou Gonet.
A denúncia é sustentada por um vasto acervo de provas, que inclui postagens em redes sociais, entrevistas à imprensa e mensagens interceptadas. Em um dos vídeos anexados ao processo, Eduardo assume abertamente sua atuação internacional e a pressão contra o STF, afirmando que a imposição de sanções seria a única via para intimidar a Justiça brasileira.
Sem mandato e defendido pela DPU
Residindo nos Estados Unidos desde o ano passado, Eduardo Bolsonaro perdeu o seu mandato na Câmara dos Deputados devido ao excesso de faltas às sessões legislativas. Durante o andamento da ação penal no Supremo (AP 2.782), ele optou por não constituir um advogado particular.
Sua defesa vem sendo realizada pela Defensoria Pública da União (DPU). O órgão argumentou, ao longo do processo, que as declarações e atos do ex-deputado estariam resguardados pela imunidade parlamentar e pelo direito à liberdade de expressão.
No entanto, a Procuradoria-Geral da República rechaçou a tese, apontando que as condutas configuraram um projeto claro de submissão do Judiciário para satisfazer interesses familiares, excedendo os limites da atuação parlamentar e do debate democrático.
| Qual é a acusação principal da PGR? | O procurador-geral Paulo Gonet pediu a condenação de Eduardo Bolsonaro pelo crime de coação no curso do processo. |
|---|---|
| O que motivou a denúncia? | Segundo a PGR, Eduardo usou sua influência nos EUA para conseguir sanções (como o tarifaço nas exportações e suspensão de vistos de ministros) para chantagear o STF e tentar livrar seu pai, Jair Bolsonaro, de uma condenação criminal. |
| Houve impacto para o Brasil? | Sim. A PGR destacou que as ações do ex-deputado causaram prejuízos econômicos concretos a setores produtivos do país e atingiram diretamente os trabalhadores brasileiros. |
| Como Eduardo Bolsonaro está se defendendo? | Ele não constituiu advogado particular e é defendido pela Defensoria Pública da União (DPU), que alega que os atos estariam protegidos pela imunidade parlamentar. |
| Qual é a situação atual do ex-deputado? | Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde o ano passado e perdeu seu mandato na Câmara dos Deputados por excesso de faltas. |
*Com informações de PGR