[Banco Central do Brasil / Foto: Leonardo Sá / Agência Senado]
[Foto: Leonardo Sá / Agência Senado]
- Inflação acima da meta: A previsão do mercado financeiro para o IPCA deste ano subiu para 4,91%, ultrapassando o teto estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional.
- Pressão externa e interna: A alta foi impulsionada pelos impactos da guerra no Oriente Médio sobre os combustíveis e pelo encarecimento dos transportes e alimentos.
- Juros e crescimento: A expectativa para a taxa Selic ao final do ano permaneceu em 13%, enquanto a projeção de crescimento da economia brasileira (PIB) se manteve em 1,85%.
O mercado financeiro revisou novamente para cima a previsão do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do Brasil. De acordo com o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (11/05) pelo Banco Central (BC), a estimativa para este ano saltou de 4,89% para 4,91%. Este é o nono aumento semanal consecutivo, o que consolida o rompimento do teto da meta de inflação estabelecida pelo governo.
A meta atual, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual. Isso significa que o limite máximo tolerável para a alta dos preços é de 4,5%, patamar que as novas projeções do mercado financeiro já deixaram para trás.
A escalada inflacionária tem explicações globais e domésticas. O principal motor dessa alta contínua é a guerra no Oriente Médio, que tem pressionado fortemente o preço dos combustíveis. No cenário interno, março já havia dado sinais de alerta: a inflação oficial do mês fechou em 0,88%, um salto em relação aos 0,7% registrados em fevereiro, puxada principalmente pela alta nos setores de transportes e alimentação. No acumulado de 12 meses, o IPCA registra 4,14%, segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para os próximos anos, as instituições financeiras projetam uma inflação de 4% em 2027; 3,64% em 2028; e 3,5% em 2029.
O dilema da Taxa Selic e a guerra no Oriente Médio
Para tentar ancorar as expectativas e segurar a inflação, o Banco Central utiliza a taxa básica de juros, a Selic, que atualmente está fixada em 14,5% ao ano. Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, realizar um corte de 0,25 ponto percentual na taxa. Foi a segunda redução consecutiva em um cenário que combinava queda da inflação anterior com altos juros reais.
De junho de 2025 a março deste ano, a Selic permaneceu estacionada em 15% ao ano, o maior nível registrado em quase duas décadas. Contudo, o recrudescimento da inflação devido aos combustíveis e alimentos, reflexo do conflito no Oriente Médio, torna o trabalho do BC cada vez mais complexo. Na ata da última reunião, o Copom optou pela cautela e não deu pistas claras sobre os próximos passos, ressaltando que monitora de perto os desdobramentos da guerra e o risco de um prolongamento das pressões inflacionárias.
A próxima reunião do comitê ocorrerá nos dias 16 e 17 de junho. O Focus desta semana mostra que os analistas apostam que a Selic encerrará o atual ano na casa dos 13%. Para os anos seguintes, a expectativa é de queda gradual: 11,25% (2027), chegando a 10% em 2028 e 2029.
Juros mais baixos tendem a baratear o crédito e estimular o consumo e a produção, mas diminuem o controle sobre o aumento dos preços. Vale lembrar que a taxa cobrada diretamente dos consumidores pelos bancos também inclui outros custos, como o risco de inadimplência e despesas administrativas.
Projeções para PIB e Dólar
No que diz respeito ao crescimento econômico, o mercado financeiro manteve a projeção de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano em 1,85%. Para 2027, houve um ajuste marginal, passando de 1,75% para 1,76%. Já para 2028 e 2029, a aposta é de um crescimento de 2% ao ano. O IBGE registrou que a economia brasileira cresceu 2,3% em 2025, o quinto ano consecutivo de alta, impulsionado pela agropecuária.
No mercado de câmbio, a estimativa atualizada pelas instituições financeiras aponta que o dólar deve encerrar este ano cotado a R$ 5,20. Para o fim de 2027, a projeção é que a moeda norte-americana alcance a marca de R$ 5,30.
*Com informações de BC