[Foto: Ilustrativa / Aline / GE]
- Produção nacional: A Anvisa liberou o Instituto Butantan para formular e envasar no Brasil a XCHIQ (Butantan-Chik), facilitando a entrega ao SUS.
- Tecnologia e parceria: Desenvolvida com a Valneva, a vacina apresentou 98,9% de eficácia na produção de anticorpos e já foi aplicada em 23 mil brasileiros.
- Impacto econômico e social: A produção pública permitirá um custo menor do imunizante contra a doença que causou 125 óbitos no Brasil apenas em 2025.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, nesta segunda-feira (04/05), a fabricação nacional da vacina contra a chikungunya pelo Instituto Butantan. O imunizante, comercialmente batizado de Butantan-Chik (ou XCHIQ), foi desenvolvido em uma parceria entre a instituição brasileira e a farmacêutica franco-austríaca Valneva. Com a decisão, a versão formulada e envasada no Brasil está totalmente liberada para uso e pronta para ampliar sua presença no Sistema Único de Saúde (SUS).
A vacina já havia recebido a aprovação da agência reguladora em abril de 2025, mas, até então, as fábricas da Valneva eram os únicos locais registrados para a produção. A partir deste novo parecer, o Instituto Butantan passa a ser oficialmente um local de fabricação, mantendo os mesmos padrões de qualidade, segurança e eficácia originais.
A nacionalização de parte do processo produtivo é vista como um avanço estratégico. O diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, destacou a importância da medida: “Mais um marco importante para o Instituto Butantan e para a saúde da população. Ao executar a maior parte do processo de fabricação, o Instituto Butantan, por ser uma instituição pública, poderá entregar a vacina com um preço menor e mais acessível, com a mesma qualidade e segurança”.
Eficácia, Segurança e Uso no SUS
A Butantan-Chik é indicada para a prevenção da doença em pessoas de 18 a 59 anos que possuem risco aumentado de exposição ao vírus. Trata-se de uma vacina de vírus recombinante atenuado, sendo contraindicada para mulheres grávidas, pessoas imunodeficientes ou pacientes imunossuprimidos.
Segundo o Instituto Butantan, um estudos realizados nos Estados Unidos com 4 mil voluntários (de 18 a 65 anos) e publicados na revista científica The Lancet em 2023, 98,9% dos participantes produziram anticorpos neutralizantes. O imunizante demonstrou bom perfil de segurança, com reações adversas leves e moderadas, como dor de cabeça, dor no corpo, fadiga e febre.
A vacina, que foi a primeira contra a chikungunya registrada no mundo (com aprovações também no Canadá, Europa e Reino Unido), já começou a ser utilizada no Brasil. Em fevereiro de 2026, o Ministério da Saúde iniciou uma estratégia piloto no SUS, focando em municípios com alta incidência da doença.
“Essa autorização reforça o nosso compromisso em parceria com o Instituto Butantan de proteger comunidades da América Latina contra a chikungunya. Cerca de 23 mil brasileiros já receberam a vacina como parte da campanha piloto, e possibilitar a fabricação e distribuição local é um marco crucial para oferecer esse imunizante tão necessário a populações de risco”, afirmou o diretor médico da Valneva, Juan Carlos Jaramillo.
O impacto da chikungunya no Brasil e no mundo
A chikungunya é uma arbovirose transmitida por fêmeas infectadas do mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue e do vírus Zika. Introduzido nas Américas em 2013 e confirmado no Brasil (Amapá e Bahia) em 2014, o vírus hoje registra transmissão em todos os estados brasileiros.
Apenas no ano de 2025, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) contabilizou cerca de 620 mil casos globais da doença. No cenário nacional, o Ministério da Saúde notificou mais de 127 mil casos e 125 óbitos no mesmo período.
Os sintomas iniciais incluem febre súbita (acima de 38,5°C), dor de cabeça, dor muscular, manchas vermelhas na pele e dores intensas nas articulações (pés, mãos, tornozelos e punhos). O maior perigo, contudo, é a cronificação da doença. A dor articular crônica pode persistir por meses ou anos.
Um estudo da Universidade George Washington, nos EUA, revelou que uma em cada oito pessoas diagnosticadas sofreu com dores persistentes por três anos. No Brasil, pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) alertaram que pacientes com a forma crônica da chikungunya têm 76 vezes mais chances de desenvolver problemas de locomoção e um risco 13 vezes maior de desenvolver depressão.
Apesar do avanço com a vacina, as autoridades de saúde reforçam que o combate ao mosquito vetor continua sendo fundamental. A eliminação de focos de água parada em pneus, latas, vasos de plantas, caixas d’água e cisternas segue como principal medida preventiva para toda a população.
Guia Rápido: Vacina contra Chikungunya (Butantan-Chik)
*Com informações de Ministério da Saúde e Instituto Butantan