[Foto: Ilustrativa / Aline / GE]
A Semana de Vacinação nas Escolas, mobilização nacional que ocorre até esta quinta-feira (30/04), tem levado equipes de saúde diretamente a 104,9 mil instituições públicas de ensino em 5.544 municípios brasileiros. A ação, que resulta de uma parceria entre os ministérios da Saúde e da Educação através do Programa Saúde na Escola (PSE), tem como principal objetivo atualizar a caderneta de 27 milhões de crianças e adolescentes.
O público-alvo principal abrange estudantes dos 9 meses aos 15 anos. Contudo, a estratégia estende-se excepcionalmente aos jovens de 15 a 19 anos matriculados no Ensino Médio e na Educação de Jovens e Adultos (EJA) para a imunização contra o HPV, caso não tenham sido vacinados na idade recomendada.
As principais doses oferecidas incluem proteção contra a Covid-19, Febre Amarela, Tríplice Viral (sarampo, caxumba e rubéola), Tríplice Bacteriana (DTP) e Meningocócica ACWY. A aplicação é realizada por profissionais do SUS dentro das próprias unidades de ensino, mediante termo de autorização dos pais ou responsáveis.
Vacinação nas Escolas: Guia de Doses
Crianças menores de 5 anos
- • Covid-19
- • Febre amarela
- • Tríplice viral
- • Tríplice bacteriana (DTP)
Crianças e adolescentes (< 15 anos)
- • Febre amarela
- • Tríplice viral
- • Tríplice bacteriana (DTP)
- • Meningocócica ACWY
- • HPV
Autorização e Logística
Para garantir a transparência da campanha e o envolvimento das famílias, a aplicação das doses exige consentimento prévio. O processo de triagem começa nas próprias unidades de ensino, que são as responsáveis por organizar e enviar o termo de autorização aos pais ou responsáveis. Com o documento validado, os profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) assumem a etapa clínica, realizando a checagem detalhada da caderneta de vacinação de cada aluno antes de aplicar as vacinas necessárias. Visando ampliar o acesso e garantir a proteção máxima dos estudantes, a logística da imunização é flexível e pode ocorrer tanto diretamente no ambiente escolar quanto numa Unidade Básica de Saúde (UBS).
Fim do negacionismo e recuperação histórica
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, celebrou a aproximação das equipes médicas aos estudantes. “Com a vacinação nas escolas, estamos extinguindo a disciplina do negacionismo científico. Atingimos a maior cobertura vacinal infantil dos últimos nove anos, mas isso não é motivo para baixarmos a guarda”, destacou.
A ligação entre a sala de aula e os postos de saúde também ganhou reforço administrativo. O ministro da Educação, Leonardo Barchini, sublinhou a importância do documento em dia: “É fundamental que as crianças se vacinem na idade adequada, e tudo isso deve estar articulado com a escola. A própria matrícula e a permanência na unidade estão ligadas ao cartão de vacinação”
Tecnologia: Caderneta Digital e WhatsApp
Para garantir que as famílias não percam os prazos, o Governo Federal intensificou a iniciativa “Governo na Ponta”. De acordo com dados do Ministério da Saúde,apenas este ano, já foram disparadas 39 milhões de mensagens de alerta, sendo 10,2 milhões através do WhatsApp, para avisar os cidadãos sobre as campanhas.
Além disso, a Caderneta Digital da Criança, acessível pelo miniaplicativo dentro do Meu SUS Digital, ganhou uma nova funcionalidade de push (notificações). O sistema, que já conta com mais de 3,3 milhões de acessos, envia lembretes automáticos conforme a idade da criança.
Através do aplicativo, pais e responsáveis que tenham conta ativa no Gov.br podem acompanhar em tempo real o histórico de vacinas, gráficos de crescimento (peso e altura), marcos de desenvolvimento, saúde bucal e dicas contra acidentes domésticos e uso excessivo de telas.
Reversão da queda nas coberturas infantis
Segundo o Ministério da Saúde, a intensificação da estratégia nas escolas consolida a reversão da queda histórica nas coberturas vacinais, um cenário que havia sido severamente agravado pelos impactos da pandemia de Covid-19. Os dados oficiais mostram que, em 2025, todas as vacinas do calendário infantil registraram aumento em comparação com o ano de 2022.
O principal destaque do balanço é a vacina Tríplice Viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola), cuja cobertura saltou de 80,7% para 92,96%. Esse avanço rápido foi fundamental para garantir que o Brasil se mantivesse livre do sarampo, na contramão do aumento de casos recentemente registrado na América do Norte.
A imunização contra o HPV também apresentou um salto expressivo de adesão. A cobertura chegou a 86,11% entre as meninas de 9 a 14 anos — um índice que representa o quíntuplo da média mundial. Entre os meninos, a taxa alcançou os 74,46%. O Ministério da Saúde ressalta que 11 estados brasileiros já bateram a meta de 90% de proteção para o público feminino, um passo determinante na prevenção do câncer do colo do útero. Outros três estados também já atingiram a meta estipulada para o sexo masculino.
Outro avanço importante mapeado pelo Ministério foi na proteção contra a meningite. A cobertura da vacina meningocócica ACWY cresceu de 45,8%, em 2022, para 67,75% em 2025. Na prática, o volume de crianças protegidas contra a doença em 2025 chegou a ser quatro vezes maior do que o registrado no ano de 2020.
*Com informações de Ministério da Saúde
