Notas de Real | Foto: Richard Souza / AN
[Foto: Richard Souza / AN]
O Tesouro Direto registou o maior volume de vendas da sua série histórica em março de 2026. Num único mês, os brasileiros realizaram mais de 1,2 milhão de operações, injetando R$ 14,79 bilhões em títulos públicos. Descontando os resgates e os vencimentos (que somaram R$ 11,01 bilhões), o programa obteve uma captação líquida positiva de R$ 3,78 bilhões.
Os dados confirmam a popularização da plataforma entre os pequenos investidores. De acordo com o balanço, 45,6% das aplicações realizadas em março foram de valores até R$ 1.000. O valor médio geral de cada operação ficou na casa dos R$ 12.083,06.
A base de utilizadores cadastrados também acompanhou este ritmo, com a entrada de 288.041 novas pessoas no sistema, elevando o total histórico para mais de 35 milhões de investidores inscritos (um crescimento de 9,8% face a março de 2025).
Apesar do aumento de cadastros, o número de investidores “ativos” (aqueles que possuem saldo na conta) sofreu uma leve queda pontual de 38.986 pessoas, fixando-se em 3,4 milhões. A redução foi justificada pelo expressivo volume de vencimentos de títulos ocorrido durante o mês. Ainda assim, no acumulado de 12 meses, os investidores ativos cresceram 16%.
A preferência pela Selic e prazos curtos
Num cenário de procura por segurança e liquidez, os títulos atrelados à taxa básica de juros (Tesouro Selic e Tesouro Reserva) dominaram o mercado. Eles foram a escolha principal, somando R$ 7,8 bilhões e representando mais da metade (52,7%) de todas as vendas.
Em segundo lugar ficaram os papéis indexados à inflação (Tesouro IPCA+, RendA+ e Educa+), que captaram R$ 4,8 bilhões (32,1%), seguidos pelos títulos prefixados, com R$ 2,2 bilhões (15,1%).
A preferência por resgates rápidos também se refletiu nos prazos: 58,2% dos investimentos concentraram-se em papéis com vencimento entre 1 e 5 anos. Já nos resgates antecipados (recompras), o domínio da Selic foi ainda maior, representando 69,3% dos R$ 3,9 bilhões resgatados antes do prazo.
Estoque ultrapassa os R$ 234 bilhões
O forte volume de compras impulsionou o estoque total do Tesouro Direto, que encerrou março de 2026 em R$ 234,4 bilhões. O montante representa um salto de 42% em relação ao mesmo período de 2025 e um avanço de 3,3% sobre o mês anterior.
Na fotografia geral do dinheiro guardado pelos brasileiros no programa, a inflação ainda é a protagonista: os títulos atrelados a índices de preços representam a maior fatia do estoque (51,6%), somando R$ 120,9 bilhões, seguidos pela Selic (36,4%) e prefixados (12%). A maior parte dessa dívida (47,4%) tem vencimento programado para ocorrer entre 1 e 5 anos.
*Com informações de Ministério da Fazenda
