Brasão da Polícia Federal em uniforme | Foto: Ilustrativa
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Na manhã da última sexta-feira (24/4), um policial penal brasileiro que estava foragido da Justiça foi capturado em Orlando, nos Estados Unidos. O agente era procurado no âmbito da operação Anomalia I, deflagrada no mês de março pela Polícia Federal no Rio de Janeiro.
A localização e a consequente prisão do foragido em território norte-americano foram realizadas por agentes da Drug Enforcement Administration (DEA), agência federal pertencente ao Departamento de Justiça dos EUA. Segundo a PF, a captura só foi possível graças a uma força-tarefa transnacional. A DEA atuou diretamente após uma detalhada troca de informações e intensa cooperação com os policiais federais da Superintendência da PF no Rio de Janeiro.
O alvo da Força-Tarefa Missão Redentor II
A operação Anomalia foi desenvolvida como parte da Força-Tarefa Missão Redentor II. O objetivo principal dessa ofensiva policial foi o cumprimento de mandados expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Os alvos dessa operação compõem um núcleo altamente articulado. Segundo as autoridades, esse grupo atuava diretamente na “negociação de vantagens indevidas e venda de influência para favorecer os interesses de um traficante internacional de drogas”.
Próximos passos e possível deportação
Agora sob a tutela das autoridades norte-americanas, o trâmite legal entra em uma nova fase. O preso deverá passar por uma audiência de custódia com a justiça americana. Nesta etapa, segundo informações da PF, a corte dos EUA avaliará eventuais medidas de deportação do foragido da justiça brasileira, decidindo como e quando ele será entregue para responder aos mandados do STF no Brasil.
Entenda o contexto: O que é a Operação Anomalia
A Operação Anomalia integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, uma ofensiva coordenada pela Polícia Federal para combater grupos criminosos violentos no Rio de Janeiro. O objetivo principal da operação é desarticular núcleos de uma organização formada por agentes públicos e operadores financeiros que atuavam para favorecer facções do tráfico de drogas e milícias no estado.
Entre os dias 9 e 11 de março, a PF deflagrou três fases consecutivas da operação. Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de prisão preventiva e 13 de busca e apreensão na capital fluminense e na Baixada Fluminense (Nova Iguaçu e Nilópolis). A teia de corrupção envolvia nomes do alto escalão da segurança pública: entre os alvos de prisão estavam dois delegados (um da Polícia Federal e um da Polícia Civil), dois policiais civis e sete policiais militares.
Três fases de um esquema milionário
As investigações revelaram como diferentes núcleos policiais operavam de forma ilícita para beneficiar o crime organizado:
- Fase 1 (09/03): Focada no grupo que negociava vantagens indevidas e vendia influência para beneficiar um traficante internacional de drogas (núcleo do qual o policial preso nos EUA fazia parte).
- Fase 2 (10/03): Mirou um delegado titular e policiais civis suspeitos de usar a estrutura do Estado para extorquir líderes do Comando Vermelho. Segundo a investigação, eles usavam “intimações com o propósito exclusivo de coagir e pressionar lideranças do tráfico no Rio de Janeiro, exigindo o pagamento de propinas significativas para omissão em atos de ofício”. Intermediários recolhiam o dinheiro para evitar contato direto entre policiais e traficantes.
- Fase 3 (11/03): Com apoio da Corregedoria da Polícia Militar, focou em policiais militares que colaboravam com a logística de traficantes e milicianos, além de ocultar recursos ilícitos.
Lavagem de dinheiro e medidas do STF
A inteligência financeira da PF detectou movimentações patrimoniais milionárias e incompatíveis com os salários dos agentes públicos. “Para promover a ocultação e dissimulação do capital sujo, a estrutura criminosa contava com uma rede de empresas de fachada registradas em nome de familiares, agora alvos de suspensão judicial”, explicou a PF.
Diante da gravidade dos fatos, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou medidas duras para asfixiar o esquema financeiro. “Além de prisões e de buscas, a Suprema Corte deferiu a execução de medidas cautelares focadas na descapitalização do grupo, incluindo o afastamento imediato das funções públicas dos policiais investigados, a suspensão do exercício de atividades empresariais das pessoas jurídicas utilizadas nas práticas criminosas e o bloqueio de valores em contas bancárias e de criptoativos ligados aos alvos”, destacou a corporação.
Durante a operação, os agentes apreenderam armas, acessórios, munições, cerca de R$ 50 mil em espécie, veículos e eletrônicos, material que passará por análise pericial. Os envolvidos responderão, na medida de suas participações, por organização criminosa, extorsão, corrupção passiva e ativa, além de lavagem de dinheiro.
*Com informações de PF