[Foto: Arquivo / Luis Alvarenga / Governo do RJ]
Atrás da linha telefônica do número 192, a primeira esperança de quem enfrenta uma emergência, opera uma engrenagem pouco conhecida pela maior parte da população. Na capital do Rio de Janeiro, a Central de Regulação das Urgências do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) recebe uma média de quase 2 mil ligações por dia. É neste ambiente que uma logística minuciosa de triagem, priorização e resgate começa a salvar vidas.
Segundo a Secretária de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), o atendimento de um chamado segue um rito e dividido em etapas, desenhado para garantir que as equipes médicas cheguem a quem realmente precisa, no menor tempo possível e com o equipamento adequado.
O primeiro contato: a importância da calma e da clareza
Quando o usuário disca 192, a chamada é atendida por um Técnico Auxiliar de Regulação Médica (TARM). Este profissional forma a linha de frente do SAMU: é ele quem acolhe a ligação, coleta os dados primários, localiza o paciente e transfere o caso para a avaliação médica.
Neste momento de tensão, a precisão do solicitante é decisiva. O gerente administrativo do SAMU-RJ, Renato Gama, alerta sobre os obstáculos geográficos e viários da capital fluminense.
“O solicitante geralmente liga para o 192 em situação de estresse e emocionalmente abalado, mas é fundamental manter a calma e passar as informações de forma clara e objetiva. No Rio de Janeiro, enfrentamos desafios como o trânsito intenso e a geografia complexa, além de ruas com nomes semelhantes, o que pode dificultar a localização. Por isso, sempre que possível, é importante informar pontos de referência, como farmácias, mercados ou estações de BRT. Uma informação mal passada pode atrasar o atendimento e até levar a ambulância para o local errado. Em uma emergência, cada minuto faz a diferença”, afirma Gama.
A decisão do Médico Regulador: ambulância, motolância ou orientação
Após a coleta inicial, a linha é repassada ao médico regulador. É esta autoridade de saúde que, ainda por telefone, avalia a gravidade do quadro clínico seguindo protocolos do Ministério da Saúde.
O médico tem a missão de administrar os recursos do sistema com eficiência. Nem todo chamado exige o envio de uma viatura; situações menos graves podem ser resolvidas com orientações pelo telefone sobre qual unidade de saúde o paciente deve procurar. Nos casos críticos, o médico define o envio de ambulâncias de suporte intensivo (semelhantes a uma UTI móvel) ou de motolâncias, que conseguem furar o bloqueio do trânsito e chegar mais rápido à vítima.
“O atendimento começa com o médico regulador, que avalia as informações e define o recurso mais adequado. Por isso, é essencial manter a calma e falar com clareza, porque quem está no local faz parte do atendimento. A equipe classifica a gravidade e pode acionar ambulância ou motolância, que chega mais rápido. Nem todas as ocorrências precisam de viatura, algumas são resolvidas por orientação. O objetivo é garantir o melhor atendimento no menor tempo possível”, explica o gerente de enfermagem, José Alberto Gontijo.
Rádio Operador e a escolha do hospital
A última fase do acionamento fica a cargo do rádio operador. Utilizando sistemas de georreferenciamento, esse profissional localiza as unidades de socorro mais próximas do endereço da ocorrência. Na capital, as equipes ficam distribuídas pelas ruas ou em 40 bases descentralizadas.
A Central de Regulação vai além do envio do socorro: ela também define para qual hospital o paciente será levado. Essa escolha é cirúrgica e considera a gravidade do caso, a especialidade médica exigida e a disponibilidade de leitos na rede. Com essa estratégia, o SAMU evita a superlotação das portas de emergência e garante que o paciente não perca tempo na fila de uma unidade que não tenha suporte para o seu problema.
*Com informações de SES-RJ