[Foto: Richard Souza / GE]
O amanhecer desta segunda-feira (20/04) foi marcado por tensão e medo na zona sul do Rio de Janeiro. Cerca de 200 pessoas, entre moradores e turistas, ficaram presas no alto do Morro Dois Irmãos devido a uma intensa operação policial deflagrada na comunidade do Vidigal. O local é um famoso ponto turístico, frequentado logo cedo por visitantes que fazem trilhas para admirar o nascer do Sol e a vista privilegiada da cidade.
Impedidos de descer por conta da falta de segurança nos acessos, os visitantes ficaram isolados enquanto o confronto ocorria. A operação teve como alvo principal integrantes de uma organização criminosa oriundos da Bahia.
Com a chegada das equipes, os criminosos reagiram, dando início a um intenso tiroteio. Moradores da região utilizaram as redes sociais para relatar a sensação de insegurança, publicando vídeos onde é possível ouvir rajadas de tiros e registrar a passagem de helicópteros da Polícia Civil sobrevoando o Vidigal.
Vidigal, Zona Sul
— Milícia RJ News (@RjMilicia) April 20, 2026
Operação logo pela manhã na comunidade do Vidigal(CV).
Há muito tempo que a comunidade do Vidigal não tem operação, só foi o Castro sair para o Rio começar a entrar na linha. Agora do falta operação na Rocinha e matar o corno Bravo e o Bambu. pic.twitter.com/nXtazJ0UIA
Bom dia Vietnã 🇻🇳
— 𝗖𝗔𝗟𝗟 𝗢𝗙𝗙 𝗥𝗜𝗢 (@CALLOFFRIO) April 20, 2026
🇧🇷Operação da Polícia Civil no Vidigal, Zona sul do Rio de Janeiro… e os turistas no alto do morro Dois Irmãos se divertindo acenando pro helicóptero da Core! 🤷🏻♂️ pic.twitter.com/9DuFxUwJ0G
Avenida Niemeyer interditada e reflexos no trânsito
O impacto da operação se estendeu para o asfalto. Foram incendiadas lixeiras da Companhia de Limpeza Urbana do Rio (Comlurb) na Avenida Niemeyer, que é o principal acesso à comunidade e a via de ligação direta entre os bairros do Leblon e de São Conrado.
Relatos indicam que a ação criminosa forçou o fechamento da via por aproximadamente meia hora. O trânsito na região só voltou a fluir normalmente após a atuação de um comboio de viaturas da Polícia Militar, que desobstruiu e garantiu a segurança do trecho.
Operação Duas Rosas II: Ação integrada e o cerco interestadual no Vidigal
A ofensiva batizada oficialmente pelas autoridades baianas como Operação Duas Rosas II, é o resultado de uma complexa articulação interestadual. A incursão foi liderada por policiais civis da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) do Rio de Janeiro, em uma “ação integrada com o Ministério Público do Estado da Bahia, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia e a Polícia Civil da Bahia”.
Segundo a corporação fluminense, o objetivo central das equipes era cirúrgico: “localizar lideranças de uma organização criminosa na comunidade do Vidigal”. Esse grupo, de alta periculosidade, atua especificamente no Extremo Sul da Bahia e possui um histórico manchado pelo “envolvimento com tráficos de drogas e armas, mortes violentas, corrupção de menores, roubos, entre outros delitos”.
Confronto, reféns do medo e ausência de feridos
A ação que deixou turistas e moradores ilhados no Morro Dois Irmãos foi provocada, segundo a polícia, pela forte reação dos traficantes à chegada das viaturas. A Policia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) pontuou que o tiroteio foi iniciado pelos criminosos: “Na chegada, narcotraficantes atacaram os agentes, colocando deliberadamente a população e visitantes em risco”.
Apesar do intenso tiroteio e do desespero de quem ficou preso no fogo cruzado, a corporação carioca ressaltou que o planejamento evitou vítimas. De acordo com a instituição fluminense, o cerco foi executado “com rigor técnico e baseado em trabalhos de inteligência, por isso não houve registro de feridos”.
Prisões de lideranças e arsenal desarticulado
O balanço conjunto da operação já apresenta resultados expressivos na desarticulação da quadrilha. O detalhamento inicial da polícia carioca confirmou que “uma mulher foi capturada e dois homens foram presos em flagrante”. As informações divulgadas pelas autoridades da Bahia complementam o saldo da incursão, destacando que a ação “capturou três integrantes de uma facção” e “alcançou também uma foragida da Justiça, responsável pela lavagem de dinheiro da facção”.
Para frear o poder de fogo e a logística do grupo escondido no Rio, as autoridades informaram que realizaram uma varredura minuciosa no local do confronto. A Polícia Civil baiana confirmou que “Com os criminosos foram apreendidos um fuzil, uma pistola, carregadores, munições, rádios comunicadores e roupas camufladas”. A PCERJ também listou o arsenal e o material ilícito retirado das mãos da facção durante as buscas: “um fuzil, uma espingarda, uma pistola, munições, rádios transmissores e aparelhos celulares, além de grande quantidade de drogas”.
Buscas continuam na mata
A tensão na região ainda não foi totalmente dissipada. A mobilização policial no morro permanece ativa. A Polícia Civil da Bahia confirmou que o cerco não terminou, alertando que “Equipes da Bahia e do RJ seguem no terreno à procura de traficantes que conseguiram escapar por uma área de mata fechada”.
Novas atualizações: Perfil dos presos e inteligência contra o crime interestadual
Em nova atualização sobre os desdobramentos da operação, a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) detalhou o perfil de alta periculosidade dos alvos capturados na comunidade. Segundo a corporação fluminense, o cerco atingiu lideranças de diferentes regiões do país. “Entre os presos está um dos criminosos mais procurados do estado de Goiás”, revelou a polícia. O suspeito “foi capturado em flagrante, com drogas, roupas camufladas e tentou usar um documento falso no momento da abordagem”.
O poder de fogo e a organização do grupo também chamaram a atenção das equipes táticas durante a incursão. A polícia informou que “o outro homem, natural do estado de Minas Gerais, foi preso portando armamento de guerra, com fuzil e pistola”. A ofensiva desferiu, ainda, um forte golpe no núcleo econômico da facção. De acordo com a PCERJ, “a mulher capturada é apontada como responsável pela movimentação financeira do Comando Vermelho na Bahia, com atuação direta na gestão de recursos ilícitos e apoio logístico ao grupo”. As autoridades destacaram também que a suspeita “é esposa de uma das principais lideranças da facção naquele estado”.
A instituição enfatizou o cerco contra lideranças foragidas, afirmando que “a Polícia Civil mantém um trabalho contínuo de inteligência voltado ao monitoramento de criminosos oriundos de outras unidades da federação”. O objetivo dessa ação permanente é sufocar a logística das facções, “impedindo que utilizem o estado como refúgio ou base operacional”.
MPBA detalha operação contra o Primeiro Comando de Eunápolis
A operação no Vidigal revelou contornos profundos sobre a teia do crime organizado interestadual. Segundo o Ministério Público da Bahia (MPBA), que atuou em conjunto com a SSP-BA e as polícias civis dos dois estados, a ofensiva mirou diretamente “lideranças de organização criminosa do sul da Bahia, que estavam escondidas na comunidade do Vidigal”. O principal golpe na estrutura do grupo foi a prisão de “uma da principais operadoras financeiras da facção baiana Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), ligada ao Comando Vermelho”.
O órgão ministerial informou que a mulher capturada nesta segunda-feira é esposa de um dos líderes da “facção criminosa”. Segundo o MPBA, a mulher “é investigada por lavagem de dinheiro e possuía dois mandados de prisão em aberto por tráfico de drogas e homicídio”. Durante o cerco que a capturou, “também foi preso um homem em flagrante, armado com um fuzil, e apreendidas a arma e drogas”.
Caçada a fugitivos de 2024 e o comando à distância
O Ministério Público explicou que a incursão “é resultado de um trabalho contínuo e integrado de investigação e monitoramento do MPBA e as forças de segurança pública”. O objetivo central dessa força-tarefa “é a captura de 13 detentos que fugiram do Conjunto Penal de Eunápolis em dezembro de 2024, e que se encontram desde então no Rio de Janeiro, sob a proteção do Comando Vermelho”.
O MPBA alertou que “as investigações apontam que os alvos da operação, mesmo foragidos, continuam exercendo papel de liderança e comando à distância, articulando ações criminosas e mantendo vínculos com o tráfico de drogas e outros delitos”. Diante da fuga de outros suspeitos pela mata do Vidigal, as autoridades garantiram que “o monitoramento e as investigações continuarão de forma permanente até a captura de todos os fugitivos”.
Raio-X: Operação Duas Rosas II no Vidigal
O que aconteceu nesta manhã?
Uma operação integrada de inteligência entre as polícias do Rio de Janeiro e da Bahia foi deflagrada para prender membros de uma facção baiana escondidos no Vidigal. Cerca de 200 turistas ficaram ilhados na trilha do Morro Dois Irmãos. Lixeiras foram incendiadas bloqueando temporariamente a Avenida Niemeyer. As forças de segurança seguem com buscas em áreas de mata.
Balanço Inicial da Operação
Prisões Realizadas
- 03 pessoas presas no total, sendo:
- 02 homens detidos em flagrante (integrantes da facção).
- 01 mulher capturada (foragida da Justiça, responsável pela lavagem de dinheiro do grupo).
- *Não houve registro de feridos durante o confronto.
Materiais Apreendidos
- 01 Fuzil e 01 Espingarda.
- 01 Pistola, além de carregadores e diversas munições.
- Rádios transmissores e aparelhos celulares.
- Roupas camufladas.
- Grande quantidade de entorpecentes.
*Com informações de PCERJ, Policia Civil da Bahia e MPBA
*Matéria atualizada às 13h30 para inclusão de perfil dos detidos e detalhamento da MPBA