[Foto: Ilustrativa / LensGO]
O mais recente Boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado nesta quinta-feira (09/04), revela um cenário epidemiológico complexo no Brasil. Embora estados das regiões Norte e Nordeste comecem a observar uma interrupção no crescimento ou queda de casos graves de influenza A, o vírus ainda mantém uma incidência elevada e preocupante nestas áreas. Paralelamente, 13 unidades federativas (UF) distribuídas por quatro regiões do país apresentam sinais de crescimento da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) nas últimas seis semanas, permanecendo em níveis de alerta.
O levantamento, referente à Semana Epidemiológica 13 (29 de março a 4 de abril), consolida o balanço de 2026: até o momento, o Brasil já notificou 31.768 casos de SRAG. A análise laboratorial revela que 41,6% desses pacientes testaram positivo para algum vírus respiratório, evidenciando o impacto contínuo desses agentes na rede hospitalar nacional.
O mapa da SRAG: Estados e capitais em risco
Os dados mostram que a incidência de casos graves não é uniforme, apresentando comportamentos distintos conforme a geografia brasileira:
- Zonas de Crescimento: O sinal de alerta, com tendência de aumento no longo prazo, persiste em estados como Acre, Pará, Tocantins, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe, Bahia, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo.
- Capitais sob Pressão: Onze capitais acompanham essa tendência de alta, incluindo Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Vitória (ES), Recife (PE) e Cuiabá (MT).
- Sinais de Estabilidade: Estados como Amazonas, Roraima e o Distrito Federal já demonstram interrupção do crescimento, embora ainda mantenham níveis de incidência considerados de risco.
No Centro-Sul, a preocupação se volta para a influenza A, que continua aumentando em estados como São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de Minas Gerais e Espírito Santo.
Monitoramento Regional (Semana 13)
Regiões afetadas: Norte (AC, PA, TO), Nordeste (MA, RN, PB, AL, SE, BA), Centro-Oeste (MT, GO) e Sudeste (MG, ES).
Capitais neste grupo: Palmas, Cuiabá, São Luís, Natal, João Pessoa, Recife, Aracaju, Maceió, Belo Horizonte, Vitória e Rio de Janeiro.
Unidades: Amazonas, Roraima, Rondônia, Ceará, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul.
Capitais neste grupo: Boa Vista, Manaus, Belém, Porto Velho, Goiânia, Brasília, Salvador e Teresina.
Unidades: Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro.
Nota: Embora estejam em nível de segurança, apresentam sinal de crescimento na tendência de longo prazo.
Perfil viral e mortalidade
A dinâmica dos vírus respiratórios nas últimas quatro semanas revela que o rinovírus é o agente mais prevalente, atingindo 40,8% dos casos positivos. No entanto, a influenza A é o vírus mais letal no período, sendo responsável por 40,5% dos óbitos, seguida pelo Sars-CoV-2 (Covid-19) com 25% e pelo rinovírus com 27,3%.
Os dados por faixa etária mostram que a queda de casos graves em crianças e adolescentes está associada ao recuo do rinovírus. Já entre os idosos, a redução das hospitalizações é impulsionada pela diminuição da influenza A em estados do Norte e Nordeste. Contudo, o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) continua a avançar no Sudeste e Centro-Oeste, afetando drasticamente crianças de até dois anos.
Proteção e isolamento
A pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz, reforça que a vacinação contra a influenza é a ferramenta primordial para evitar desfechos fatais. Ela direciona o alerta especialmente aos grupos de maior risco e aos profissionais de saúde.
“Além disso, é essencial que gestantes, a partir da 28ª semana de gestação, se vacinem contra o VSR, garantindo a proteção dos bebês ao nascer. Também recomendamos que pessoas com sintomas de gripe ou resfriado permaneçam em casa em isolamento; caso isso não seja possível, o ideal é sair usando uma boa máscara”, destaca Portella.
A influenza A lidera com 40,5%, seguida pelo rinovírus (27,3%) e Sars-CoV-2/Covid-19 (25%).
A Síndrome Respiratória Aguda Grave é uma complicação respiratória. Em 2026, já foram notificados 31.768 casos no país.
Houve queda de casos por rinovírus, mas o VSR ainda está em aumento em estados como SP, MG, RJ e parte do Nordeste e Centro-Oeste.
A Fiocruz recomenda a vacinação imediata (especialmente para grupos de risco e gestantes) e o isolamento ou uso de máscaras para quem apresenta sintomas.
Campanha de Vacinação
A campanha de vacinação contra a influenza em 2026, iniciada no final de março, registrou uma adesão popular robusta. De acordo com o balanço do Ministério da Saúde, no ínicio do mês, mais de 2,3 milhões de doses já foram aplicadas nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste. O grande motor desse resultado foi o “Dia D”, realizado no último sábado (28/03), que sozinho contabilizou 1,6 milhão de imunizações. A campanha de vacinação contra a Influenza segue até o dia 30 de maio.
Para sustentar o ritmo, o Governo Federal já distribuiu 15,7 milhões de doses aos estados. Em pronunciamento oficial, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, enfatizou que o imunizante reduz em até 60% o risco de internação. Padilha fez um apelo direto às famílias: “Não negue ao seu filho um direito que nossos pais não nos negaram. Vacinar é também um ato de amor à sua família”.
A estratégia para 2026 mantém orientações específicas: crianças de 6 meses a 8 anos que nunca foram vacinadas devem receber duas doses (intervalo de 4 semanas). A vacina da gripe pode ser administrada simultaneamente com a da Covid-19. Devido às condições climáticas, a Região Norte seguirá um calendário diferenciado no segundo semestre.
*Com informações de Fiocruz e Ministério da Saúde