[Foto: Ilustrativa / Richard Souza / AEF]
Pelo sétimo ano consecutivo, o número de alunos sem acesso aos bancos escolares aumentou, impulsionado por uma combinação de crescimento populacional, crises humanitárias e redução de orçamentos. O alerta foi emitido pela Unesco diretamente de sua sede em Paris, revelando que, atualmente, o mundo tem 273 milhões de crianças fora da escola.
Os dados constam no Relatório de Monitoramento Global da Educação (GEM) 2026, documento que é referência mundial no setor. Segundo o levantamento, uma em cada seis crianças em idade escolar está excluída do sistema de ensino, e o cenário de conclusão é ainda mais desafiador: apenas dois em cada três estudantes conseguem terminar a educação secundária.
Fatores de retrocesso e o impacto de conflitos
A desaceleração no progresso da permanência escolar é visível em quase todas as regiões desde 2015. A situação é especialmente acentuada na África Subsaariana, onde a explosão demográfica supera a capacidade de absorção dos sistemas de ensino. Além disso, conflitos armados exercem um peso determinante; mais de uma em cada seis crianças vivem em áreas afetadas por guerras, o que gera milhões de alunos fora das estatísticas oficiais.
No Oriente Médio, as tensões regionais forçaram o fechamento em massa de unidades de ensino. O diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany, classificou a tendência como “alarmante”, destacando o número crescente de jovens privados de seu direito fundamental a cada ano.
Esperança e avanços significativos
Apesar do quadro crítico, a Unesco aponta que “existe esperança de que esse quadro mude”. Desde o ano 2000, as matrículas na educação primária e secundária cresceram 30% em termos gerais, o equivalente a mais de 25 crianças obtendo acesso à escola a cada minuto. Alguns países registraram vitórias na redução da exclusão:
- Redução de 80% na exclusão: Madagascar e Togo (crianças); Marrocos e Vietnã (adolescentes); Geórgia e Turquia (jovens).
- Costa do Marfim: Reduziu as taxas de exclusão pela metade em todas as faixas etárias.
- Etiópia: Saltou de 18% de matrícula primária em 1974 para 84% em 2024.
- China: Expandiu o acesso ao ensino superior de 7% (1999) para mais de 60% (2024).
Inclusão e financiamento
O relatório também celebra o avanço de políticas inclusivas. A proporção de países com leis de educação inclusiva saltou de 1% para 24% nas últimas duas décadas. Além disso, 76% das nações já adotam políticas para realocar recursos em favor de escolas desfavorecidas.
De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o ritmo atual ainda é lento para as metas globais: com as taxas de expansão vigentes, o mundo só alcançaria 95% de conclusão do ensino médio no ano de 2105.
*Com informações de ONU