Sede da PF no RJ | Foto: Richard Souza / GE
[Foto: Richard Souza / GE]
A Polícia Federal (PF) deflagrou, na tarde desta sexta-feira (27/03), a terceira fase da Operação Unha e Carne III. O principal alvo da ofensiva foi o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), preso preventivamente no município de Teresópolis, na Região Serrana.
A ordem de prisão foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Petição (PET) 14969. Bacellar, que também foi alvo de busca e apreensão, é investigado pelo “vazamento de informações sigilosas” e pela obstrução de investigações relacionadas a organizações criminosas no estado.
Obstrução e conexões com o crime organizado
Segundo a denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR), o ex-parlamentar teria “participado da obstrução de operações policiais e colaborado para frustrar o cumprimento de mandados contra o ex-deputado estadual Thiago dos Santos Silva, conhecido como ‘TH Joias’”, apontado como aliado da facção Comando Vermelho.
A Polícia Federal informou que o vazamento de dados sigilosos teria culminado na obstrução da Operação Zargun, deflagrada em setembro de 2025. O crime imputado pela PGR refere-se à obstrução de investigação de infração penal que envolve “organização criminosa armada, com a participação de funcionário público”.
O contexto da “ADPF das Favelas”
A prisão não é um fato isolado, mas parte de um monitoramento determinado pelo STF na ADPF 635/RJ, a “ADPF das Favelas”. Neste processo, ficou estabelecido que a PF deve investigar a fundo a atuação de grupos criminosos violentos no Rio e, especificamente, suas “conexões com agentes públicos”.
Perda de foro e retorno ao sistema prisional
Rodrigo Bacellar já havia sido preso preventivamente em novembro de 2025 por suspeita de participação em organização criminosa, mas teve a liberdade restabelecida em dezembro após decisão da Alerj, que substituiu a prisão por medidas cautelares e tornozeleira eletrônica.
Entretanto, o cenário mudou nesta semana. Na terça-feira (24), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou o mandato de Bacellar. Com a perda do cargo de deputado, o ministro Alexandre de Moraes entendeu que foram afastados os obstáculos que impediam a manutenção da custódia.
Após a captura em Teresópolis, Bacellar foi conduzido à Superintendência da Polícia Federal, na capital. Segundo nota da PF, o ex-presidente da Alerj será “encaminhado ao sistema prisional do estado, onde permanecerá à disposição da justiça”.
*Com informações de PF