Jair Messias Bolsonaro | Foto: Arquivo / Richard Souza / AN
[Foto: Arquivo / Richard Souza / AN]
O hospital DF Star, em Brasília, divulgou um novo boletim médico na tarde desta quinta-feira (26/03) detalhando o estado de saúde do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro. Segundo a equipe multidisciplinar, o paciente apresenta uma “boa evolução clínica” e já não manifesta sinais de infecção aguda. Com a melhora do quadro de pneumonia bacteriana bilateral, a previsão de alta hospitalar foi fixada para amanhã, dia 27 de março.
Bolsonaro permanece sob vigilância clínica pelas próximas 24 horas. O ex-presidente foi internado no dia 13 de março após um episódio de broncoaspiração que evoluiu para uma pneumonia bilateral. Após um período na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), o boletim desta quinta ratifica a estabilidade necessária para o encerramento da internação hospitalar.
Apesar da ausência de sinais agudos de infecção, a equipe médica ressalta que o paciente ainda demanda cuidados. O corpo clínico é composto pelos doutores Claudio Birolini (Cirurgião Geral), Leandro Echenique e Brasil Caiado (Cardiologistas), além de Wallace S. Padilha e Allisson B. Barcelos Borges.
Prisão domiciliar humanitária
A alta hospitalar marca o início do cumprimento da prisão domiciliar humanitária, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O benefício de 90 dias visa garantir que o paciente de 71 anos complete a recuperação da broncopneumonia em ambiente controlado, mitigando riscos de nova desestabilização clínica.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão pela Ação Penal (AP) 2.668, condenado por crimes como organização criminosa armada, abolição violenta do Estado de Direito, dano qualificado ao patrimônio público e privacidade de patrimônio tombado. O cumprimento da sentença teve início em 25 de novembro de 2025.
Excepcionalidade e monitoramento clínico
A defesa sustentou que o atual regime de cumprimento de pena seria inviável para a “necessidade de observação contínua e de pronta resposta a possíveis intercorrências”. A equipe médica do Hospital DF Star ratificou que, embora o quadro seja estável, há necessidade de monitorização clínica contínua durante o tratamento antibiótico. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também se manifestou favoravelmente à concessão excepcional.
Na decisão proferida na Execução Penal (EP) 169, o ministro Alexandre de Moraes ressaltou que, embora o estabelecimento prisional tenha garantido tratamento adequado e remoção eficiente para hospitais, o estado de saúde atual demanda cautela extra.
“A oncessão de prisão domiciliária humanitária temporária é a indicação mais razoável para a recuperação plena do custodiado”, afirmou o ministro em seu despacho.
Regras e proibições
A prisão domiciliar deverá ser cumprida integralmente no endereço residencial de Bolsonaro, sob as seguintes condições:
- Monitoramento: Uso obrigatório de tornozeleira eletrônica.
- Comunicação: Proibição total de uso de celular, telefone ou qualquer outro meio de comunicação externa, direta ou indireta (inclusive por meio de terceiros).
- Visitas: Estão autorizadas visitas permanentes de seus filhos, advogados e equipe médica, sem necessidade de comunicação prévia, respeitando as condições legais.
O descumprimento de qualquer uma dessas regras resultará na revogação imediata do benefício e no retorno ao regime fechado ou ao hospital penitenciário. Ao fim dos 90 dias, uma perícia médica será realizada para avaliar a necessidade de eventual prorrogação.