Sede do TRE-RJ | Foto: Richard Souza / GE
[Foto: Richard Souza / GE]
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) instituiu o Grupo de Trabalho Unificado de Defesa da Integridade Eleitoral, com o objetivo de combater a influência do crime organizado nas eleições de 2026. O plano de trabalho foi aprovado na quinta-feira (19), durante a primeira reunião do comitê, realizada no Palácio da Democracia, com a participação de representantes das forças de segurança e do Ministério Público Federal.
A iniciativa foi criada pelo presidente da Justiça Eleitoral no estado, Claudio de Mello Tavares, e tem como foco a integração entre órgãos especializados para atuação conjunta no enfrentamento a tentativas de infiltração de organizações criminosas na política.
Segundo o TRE-RJ, a medida busca impedir que o domínio territorial exercido por grupos como tráfico de drogas, milícias e narcomilícias, além de recursos oriundos de atividades ilícitas, resulte em coação ao eleitorado, financiamento irregular de campanhas ou registro de candidaturas vinculadas ao crime.
Durante a reunião, após apresentação do juiz auxiliar da Presidência, Fábio Porto, o desembargador destacou que o cenário de segurança pública no estado exige ações específicas e articuladas entre diferentes instituições.
“É um cenário muito específico e diferente da média enfrentada em todo o Brasil. Por isso, foi necessário montar uma coalizão reunindo o melhor das nossas forças de inteligência, para impedir a infiltração do crime organizado nas estruturas do Executivo e do Legislativo. Com esse acesso, a situação poderia se agravar ainda mais”, afirmou.
Eixos de atuação
O grupo reúne representantes da Procuradoria Regional Eleitoral, do Comando Militar do Leste, da Secretaria de Estado de Segurança Pública, da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária, além das polícias Rodoviária Federal, Federal, Militar e Civil, e de setores técnicos do TRE-RJ.
A atuação será concentrada em dois eixos principais. O primeiro envolve a identificação, análise e eventual substituição de locais de votação situados em áreas consideradas de alto risco, com o objetivo de garantir a segurança dos eleitores e o exercício livre do voto. Esse trabalho já havia sido iniciado nas eleições de 2024 pela área de inteligência do tribunal.
O segundo eixo prevê o compartilhamento de dados entre as forças de segurança sobre candidaturas com possíveis vínculos com o crime organizado. As informações serão encaminhadas à Procuradoria Regional Eleitoral, que poderá utilizá-las na análise dos pedidos de registro de candidatura, inclusive para solicitar o indeferimento, quando houver indícios que justifiquem a medida.
A expectativa é que a atuação integrada contribua para fortalecer a integridade do processo eleitoral no estado.
Com informações da Sessão de Jornalismo do TRE-RJ.