[Foto: Richard Souza / AN]
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) deu início, nesta quinta-feira (19/03), a uma investigação para apurar as circunstâncias da ação do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa. O saldo da incursão, ocorrida na quarta-feira (18/03), foi de oito mortos, incluindo Leandro Silva Souza (um morador feito refém em sua própria casa),e Claudio Augusto dos Santos, o “Jiló dos Prazeres”, uma das lideranças mais antigas do Comando Vermelho (CV).
Promotores do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP/MPRJ) e peritos da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ) realizaram uma varredura técnica em um imóvel situado em um beco com acesso pela Rua Barão de Petrópolis. No local, que permaneceu isolado, os técnicos utilizaram scanners e registros fotográficos detalhados. O cenário encontrado foi descrito como preservado, contendo orifícios de projéteis, vestígios de sangue, estojos e até segmentos corporais, material que agora subsidiará laudos técnicos fundamentais para o controle externo da atividade policial.
O drama dos reféns em “espaço confinado”
O momento mais crítico da operação ocorreu quando criminosos, encurralados pela elite da PM, invadiram a residência de Leandro Silva Souza. Segundo o comando do BOPE, Leandro e sua esposa foram utilizados como escudos humanos em uma “ação covarde” da quadrilha. Durante o que a polícia classificou como uma tentativa de negociação, tiros foram disparados no interior do imóvel, resultando na morte do morador, alvejado na cabeça.
A Polícia Militar descreveu a dinâmica: “Eles invadiram uma residência do senhor Leandro e numa ação covarde colocaram o casal como refém e, quando entramos, houve uma negociação. Quando tentávamos uma negociação, houve um disparo de dentro e ele foi baleado na cabeça, e nosso policias reagiram. Tiraram a esposa em estado de choque”. Os seis criminosos que ocupavam a casa também foram mortos na troca de tiros.
O alvo: Quem era Jiló dos Prazeres?
A operação, que mobilizou 151 policiais e blindados, visava desarticular um esquema de roubo e clonagem de veículos comandado por Jiló dos Prazeres, de 55 anos. Com 135 anotações criminais e oito mandados de prisão, Jiló era uma figura central no tráfico carioca e ficou internacionalmente conhecido pelo envolvimento na morte do turista italiano Roberto Bardella, em 2016. No esconderijo da quadrilha, os agentes apreenderam fuzis, pistolas e granadas.
Represália e cerco do Ministério Público
A morte do líder do tráfico provocou caos imediato no Rio Comprido e arredores. Ônibus foram incendiados na Avenida Paulo de Frontin e o comércio fechou as portas por ordem do crime organizado. Apesar do cenário de tensão, o comando da PM afirmou que “a rotina das pessoas será garantida pela Polícia Militar”, mantendo a presença na região por tempo indeterminado.
Enquanto isso, o braço jurídico avança. O MPRJ já requisitou as imagens das câmeras corporais de todos os policiais militares e agentes do BOPE envolvidos na ação. A 2ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada ficará à frente do caso, enquanto a Promotoria junto à Auditoria Militar analisa a conduta dos agentes no âmbito do controle externo.
| Dúvida sobre o Caso | Informação (19/03) |
|---|---|
| Qual foi o saldo de mortos na operação? | Oito mortos: sete suspeitos (incluindo o líder Jiló) e um morador (Leandro). |
| Como o morador Leandro Silva Souza morreu? | Ele foi baleado na cabeça dentro de sua casa após ser feito refém por criminosos. |
| O que o MPRJ encontrou na perícia técnica? | Orifícios de projéteis, estojos, vestígios de sangue e segmentos corporais no imóvel. |
| Haverá análise de câmeras corporais? | Sim. O Ministério Público requisitou as imagens de todos os policiais envolvidos. |
| Quem era o principal alvo da PM? | Claudio Augusto dos Santos, o Jiló, mentor de roubos e sequestros com 135 passagens criminais. |