[Foto: Richard Souza / GE]
A Polícia Civil de São Paulo cumpriu, na manhã desta quarta-feira (18/03), o mandado de prisão preventiva contra o tenente-coronel da Polícia Militar, Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos. A detenção ocorreu na residência do oficial, em São José dos Campos (SP). O militar é indiciado por feminicídio e fraude processual pela morte de sua companheira, a soldado da PM Gisele Alves Santana, de 32 anos.
O crime ocorreu em 18 de fevereiro, no apartamento onde o casal residia no bairro do Brás, região central da capital paulista. Na ocasião, Geraldo acionou as autoridades reportando o caso como suicídio, versão que foi contestada pela família da vítima desde o início das investigações.
Laudos apontam lesões e marcas de unhas
As provas técnicas foram fundamentais para a mudança no rumo do inquérito, que passou de suicídio para morte suspeita e, finalmente, indiciamento por feminicídio. Laudos necroscópicos realizados pelo Instituto Médico Legal (IML) identificaram “lesões contundentes na face e na região cervical” no corpo da soldado.
As marcas, segundo os exames, resultaram de “pressão digital e escoriação compatível com estigma ungueal”, termo técnico para lesões causadas por unhas. O primeiro laudo, do dia 19 de fevereiro, já mencionava ferimentos na lateral direita do pescoço. Após a exumação do corpo em 6 de março, novos exames confirmaram as lesões na face e região cervical.
Contradições e indícios de fraude
A investigação apontou diversas inconsistências no depoimento do tenente-coronel. Geraldo afirmou à polícia que estava no banho no momento do disparo. No entanto, socorristas que atenderam a ocorrência relataram que o oficial estava seco e que não havia sinais de água no banheiro.
Outros pontos de atenção destacados pela defesa da família, conduzida pelo advogado José Miguel Silva Junior, incluem:
- Intervalo de socorro: Uma testemunha ouviu o disparo às 7h28, mas o Copom só foi acionado por Geraldo às 7h57, sendo um intervalo de quase 30 minutos.
- Arma na mão: Uma foto tirada pelos socorristas mostra a arma perfeitamente encaixada na mão da vítima, posição considerada incomum em suicídios.
- Limpeza do local: Três mulheres policiais foram ao apartamento horas após o crime para realizar uma limpeza, fato confirmado em depoimentos, o que corrobora a tese de fraude processual.
- Presença de autoridade: Na manhã da ocorrência, o tenente-coronel contatou um desembargador do Tribunal de Justiça de SP, que chegou a ir ao imóvel.
Geraldo Leite Rosa Neto foi levado ao 8º Distrito Policial, na zona leste da capital, e deve ser transferido para o Presídio Militar Romão Gomes, onde permanecerá à disposição da Justiça Militar.
Cronologia do Caso
A morte da Soldado Gisele Alves Santana
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18 de Fevereiro de 2026
O Crime e Contradições
07h28: Vizinha ouve disparo no Brás (SP).
07h57: Tenente-coronel Geraldo Rosa aciona o Copom relatando suicídio.
Inconsistência: Geraldo afirma estar no banho, mas socorristas o encontram seco e o banheiro sem sinais de uso. -
18 de Fevereiro (Tarde)
Possível Fraude Processual
Três mulheres policiais vão ao apartamento do casal para realizar uma limpeza do local horas após a ocorrência. Registro é alterado de suicídio para morte suspeita.
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19 de Fevereiro de 2026
Primeiro Laudo do IML
O laudo necroscópico inicial já aponta lesões na face e no pescoço (lateral direita) da soldado Gisele.
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06 de Março de 2026
Exumação do Corpo
O corpo da policial é exumado para a realização de novos exames detalhados.
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07 de Março de 2026
Confirmação de Agressão
Novo laudo confirma lesões contundentes na face e cervical, causadas por “estigma ungueal” (unhas) e pressão digital.
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17 de Março de 2026
Justiça e Indiciamento
Polícia Civil conclui inquérito e indicia o tenente-coronel por feminicídio e fraude processual. Justiça Militar concede prisão preventiva.
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18 de Março de 2026 (Hoje)
A Prisão
Geraldo Rosa Neto é preso em sua residência em São José dos Campos. Oficial deve ser transferido para o Presídio Militar Romão Gomes.