A investigação sobre o paradeiro da psicóloga brasileira Vitória Figueiredo Barreto, de 30 anos, ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira, 1º de abril. A Polícia de Essex disponibilizou novos vídeos de câmeras de segurança que mostram a brasileira em áreas até então não mapeadas de Brightlingsea, alterando a cronologia de seus últimos passos conhecidos antes do desaparecimento.
As novas imagens registram Vitória caminhando sozinha em um campo ao sul de Hurst Green, entre Back Waterside Lane e Mill Street, às 15h33 do dia 3 de março. O registro ocorre exatamente uma hora após ela ter sido vista em Hurst Green (14h35). Além disso, a polícia localizou imagens de Vitória em uma área industrial na Copperas Road, próximo ao riacho e à marina, às 00h16 do dia 4 de março.
A nova cronologia: O campo e o estaleiro
As imagens reveladas traçam um rastro mais nítido da brasileira. O primeiro novo registro mostra Vitória em um campo ao sul de Hurst Green, entre Back Waterside Lane e Mill Street, às 15h33 do dia 3 de março, exatamente uma hora após o avistamento anterior.
O mistério se intensifica com o segundo registro, localizado em um estaleiro na Copperas Road. Às 00h16 do dia 4 de março, Vitória foi filmada caminhando por uma área industrial, aproximando-se do riacho de Brightlingsea e da marina. Este avistamento é vital, pois coloca a psicóloga a poucos metros de onde um barco foi desatracado apenas minutos depois.
Mapa Atualizado: Últimos registros e buscas por Vitória Barreto
Novos avistamentos confirmados pela Polícia de Essex em Brightlingsea (Atualização de 1º de Abril)
Pontos em laranja indicam as novas imagens de câmeras reveladas recentemente pela investigação.
Nota técnica: Na nova fase da investigação (desde 20 de março), a polícia informou que as buscas físicas dentro desse perímetro verde foram finalizadas, e o foco agora é a inteligência digital para entender se Vitória saiu ou não dessa região.
A hipótese do barco e o “Intervalo de 20 Minutos”
A Superintendente Detetive Anna Granger explicou que o foco atual é reduzir o intervalo entre o último registro visual de Vitória (00h22 de 4 de março) e o momento em que uma embarcação foi solta de um pontão. O barco foi encontrado posteriormente à deriva em Bradwell-on-Sea, sem o motor ligado.
“Embora não possamos afirmar com certeza que foi Vitória quem soltou o barco, este novo avistamento confirmado a aproxima daquela área e reforça a hipótese de que foi ela”, afirmou Granger.
Um detalhe técnico intriga os investigadores: o desaparecimento de um colete salva-vidas laranja, em formato de ferradura, que pertencia à embarcação e ainda não foi localizado, apesar das intensas varreduras.
O desafio da burocracia internacional
Com o fim das buscas físicas por terra e mar no dia 20 de março, a inteligência tecnológica tornou-se o pilar do caso. No entanto, o fato de Vitória ser brasileira criou um “desafio” burocrático. Suas contas bancárias e registros de comunicação estão fora do Reino Unido.
A polícia informou que está trabalhando com parceiros internacionais e com a Embaixada do Brasil para obter esses dados. “Todos os nossos pedidos foram feitos pelos canais corretos e estamos prontos para receber essas informações o mais breve possível”, destacou a superintendente. A expectativa é que o rastro digital possa abrir novas frentes de investigação que os olhos das câmeras não alcançaram.
Itens recuperados e o apelo à comunidade
Até o momento, o rastro físico de Vitória é composto por:
- Uma bolsa branca: Com a frase “pessoas acima do lucro”, achada em 9 de março.
- Um laptop: Localizado no dia 14 de março em Brightlingsea.
A família, liderada pela mãe Gleyz Barreto, continua em vigília. Em uma mensagem emocionante, Gleyz reforçou a determinação de encontrar a filha: “Sei que Vitória nos diria: ‘não desistam, por favor, continuem’, e é isso que estamos fazendo”.
Linha do tempo: O desaparecimento de Vitória Figueiredo Barreto
Reconstrução detalhada dos passos da brasileira de 30 anos desaparecida no condado de Essex, Reino Unido, e o avanço das investigações policiais.
Vitória encontra-se com uma amiga na universidade. Pouco depois das 13h, embarca no ônibus 87 na Boundary Road, em Wivenhoe.
Último Avistamento Inicial: Vitória desembarca na Bellfield Avenue, em Brightlingsea, e é vista em câmeras de Hurst Green às 14h30.
Câmeras registram Vitória no porto de Brightlingsea caminhando por uma área industrial na Copperas Road. É o último registro visual nítido dela em terra.
O Desaparecimento: Entre 00h16 e 00h36, um barco é desatracado de um pontão. Sem motor, a embarcação deriva até Bradwell-on-Sea.
Uma bolsa branca com a frase “pessoas acima do lucro” é localizada por um cidadão perto da Copperas Road, em Brightlingsea.
Buscas são ampliadas para o rio Blackwater, ilha de Mersea e península de Dengie. Notada a falta de um colete laranja no barco periciado.
Um laptop que a polícia acredita pertencer a Vitória é localizado em Brightlingsea. A família continua recebendo apoio especializado.
Unidade Marítima leva familiares para refazer o trajeto do barco. Mãe de Vitória, Gleyz Barreto, faz apelo público para que não desistam.
Investigação Técnica: Polícia de Essex encerra buscas físicas terrestres e marítimas. O foco passa a ser o rastreamento de dados financeiros e de comunicação.
Rastro Digital: Polícia foca na cooperação internacional para acessar dados de comunicação e financeiros registrados no Brasil, enfrentando barreiras burocráticas.
Novos Avistamentos: Polícia divulga vídeos inéditos. Vitória é vista em um campo ao sul de Hurst Green às 15h33 (3 de março) e em um estaleiro às 00h16 (4 de março). O último avistamento confirmado é às 00h22.
Conexão com o Barco: A superintendente Anna Granger afirma que os novos registros aproximam Vitória do local onde o barco foi desatracado, reforçando a hipótese de que ela estava na embarcação.
Quem é Vitória Barreto
Natural do Ceará, Vitória Barreto atua na área de saúde mental comunitária. Ela é psicóloga integrativa formada pela Universidade de Fortaleza (Unifor) e possui pós-graduação em Terapia Familiar Sistêmica e Constelação pelo Instituto Militão. Atualmente, também cursa pós-graduação em Fenomenologia, Clínica e Saúde Mental pela APFENO-PR.
A profissional é instrutora certificada em Terapia Comunitária Integrativa (TCI) e em Técnicas de Resgate da Autoestima (TRA), formação realizada no Movimento Integrado de Saúde Mental Comunitária (MISMEC) 4 Varas. Nesse campo, conduz rodas terapêuticas, capacitações e formações voltadas à saúde mental comunitária.
Vitória também atua como terapeuta sistêmica integrativa, atendendo grupos e indivíduos. O trabalho envolve práticas que integram aspectos culturais, corporais e mentais.
Além da atuação clínica, a psicóloga participa da formação de profissionais em cursos de TCI e TRA e integra o Conselho Científico da Associação Brasileira de Terapia Comunitária Integrativa (ABRATECOM) no período de 2023 a 2025.