[Foto: Ilustrativa/ Google AI]
Entidades representativas do jornalismo brasileiro divulgaram notas de repúdio neste domingo (15/03) contra uma série de agressões e ameaças sofridas por profissionais que cobrem a internação do ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) cobram proteção estatal e apuração rigorosa de crimes digitais.
Origem e escalada das agressões
De acordo com a Abraji, o clima de hostilidade foi acentuado após uma influenciadora digital divulgar um vídeo gravado na porta do Hospital DF Star. No registro, jornalistas que aguardavam boletins médicos são acusados de desejar a morte do ex-presidente. O conteúdo foi compartilhado por parlamentares e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, alcançando um público superior a 8 milhões de seguidores.
A Abraji classificou a disseminação do vídeo, sem verificação prévia, como um gesto irresponsável que deturpou o registro e expôs profissionais “que estavam simplesmente exercendo seu trabalho” a difamações. Segundo a associação, as agressões deixaram de ser apenas virtuais: ao menos duas repórteres sofreram ataques presenciais nas ruas após serem reconhecidas.
“A partir dessa campanha de desinformação, jornalistas que apareciam nas imagens passaram a ser identificados e atacados nas redes sociais. As agressões não ficaram restritas ao ambiente digital: duas repórteres foram reconhecidas na rua e no transporte público e sofreram ataques presenciais. Foram produzidas montagens e feitos vídeos com uso de inteligência artificial, inclusive simulando que uma das profissionais é esfaqueada. Além disso, fotos de filhos e familiares dos jornalistas estão sendo usadas como instrumento de intimidação e assédio”, destacou.
Uso de tecnologia e intimidação familiar
A gravidade dos ataques é reforçada pela denúncia do uso de inteligência artificial para produzir montagens violentas. Entre os materiais divulgados, constam vídeos que simulam o esfaqueamento de uma das profissionais. A Abraji aponta ainda o uso de fotos de filhos e parentes de jornalistas como instrumento de assédio.
“É inadmissível que parlamentares e figuras com espaço no debate público utilizem sua influência para orquestrar campanhas de difamação e incitar agressões contra profissionais de imprensa. Esse tipo de ataque não é apenas uma ameaça individual — é um ataque direto à liberdade de imprensa e à democracia.”, sustenta a nota da Abraji.
Providências institucionais
A Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas do DF anunciaram que solicitarão reforço da Polícia Militar no entorno do hospital para garantir a segurança das equipes. As entidades destacaram que “é dever do Estado garantir a segurança dos profissionais em locais públicos e de interesse jornalístico” e cobraram que o Ministério Público identifique os responsáveis pela exposição indevida de dados.
As organizações também exigem que as empresas de jornalismo ofereçam condições seguras de trabalho e apoio jurídico, permitindo o afastamento dos profissionais do local caso não se sintam seguros. Em posicionamento conjunto, as notas reafirmam:
“O jornalismo é essencial para levar fatos ao conhecimento público, e não pode ser cerceado por métodos de coação física ou psicológica. Não aceitaremos a intimidação como método político.”
Quadro clínico de Bolsonaro
Jair Bolsonaro permanece na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do DF Star para tratamento de broncopneumonia bacteriana bilateral. O boletim médico deste domingo (15) indica quadro estável e melhora renal, porém com aumento na dosagem de antibióticos devido a marcadores inflamatórios. Não há previsão de alta da UTI, de onde o ex-presidente deverá retornar ao Complexo Penitenciário da Papuda para continuar o cumprimento de sua pena.