Policiais na Operação Trunfo Final | Foto: Divulgação / PCERJ
[Foto: Divulgação / PCERJ]
O vereador do Rio de Janeiro Salvino Oliveira Barbosa (PSD), ex-secretário municipal da Juventude, foi preso nesta quarta-feira (11/03) pela Polícia Civil durante operação que investiga a atuação do Comando Vermelho, apontado pelas autoridades como a maior facção criminosa do estado.
A prisão ocorreu no âmbito da Operação Contenção Red Legacy, conduzida pela Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro. A ação tem como objetivo desarticular a estrutura nacional da facção, identificada pelas investigações como uma organização criminosa com características de cartel e atuação interestadual.
Segundo a polícia, as apurações apontam tentativas de interferência política em áreas dominadas pelo tráfico de drogas, com o objetivo de transformar esses territórios em bases eleitorais. Ainda de acordo com a investigação, o vereador teria negociado diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca”, autorização para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul, área sob domínio do Comando Vermelho.
Em troca, segundo a Polícia Civil, “o parlamentar teria articulado benefícios ao grupo criminoso, apresentados publicamente como ações voltadas à população local. Um dos exemplos investigados envolve a instalação recente de quiosques na região.”
Conforme as apurações, parte dos beneficiários teria sido definida diretamente por integrantes da facção, sem a realização de processo público transparente.
A assessoria do vereador informou que o gabinete ainda não recebeu comunicação oficial sobre a prisão. Em nota, declarou que a equipe jurídica foi acionada e aguarda esclarecimentos das autoridades para compreender os fatos.
Estrutura investigada
As investigações da Operação Contenção Red Legacy apontam a existência de uma estrutura organizada dentro do Comando Vermelho, com cadeia de comando, divisão territorial e articulação entre integrantes em diferentes estados do país.
A Polícia Civil informou que até o momento, seis pessoas foram presas, incluindo o vereador do Rio.
Familiares de Marcinho VP investigados
As apurações também identificaram a participação de familiares de Márcio dos Santos Nepomuceno, o “Marcinho VP”, considerado um dos principais líderes históricos da facção.
Segundo a investigação, Márcia Gama, esposa de Marcinho VP, atuaria na intermediação de interesses do grupo fora do sistema prisional, participando da circulação de informações entre integrantes e de articulações com operadores da organização e agentes externos.
Outro investigado é Landerson, sobrinho de Marcinho VP. De acordo com a polícia, ele faria a ligação entre lideranças da facção, integrantes que atuam em comunidades dominadas pelo grupo e pessoas envolvidas em atividades econômicas exploradas pela organização.
Márcia e Landerson não foram localizados nos endereços ligados a eles e são considerados foragidos da Justiça.
Outras suspeitas
Durante as investigações, também foram identificados casos de criminosos que se passavam por policiais militares para obter vantagens ilícitas, incluindo vazamento de informações e simulação de operações. Segundo a Polícia Civil, essas práticas não representam a atuação da maioria dos profissionais da segurança pública.
“A Polícia Civil ressalta que tais condutas representam traição à instituição e não refletem a atuação da grande maioria dos profissionais da segurança pública, que desempenham seu trabalho com dedicação e compromisso com a sociedade”, destacou a coorporação.
As apurações também indicam uma estrutura criminosa com conselho nacional, conselhos regionais e articulação entre grupos de diferentes estados, com indícios de cooperação entre o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
De acordo com as investigações, Marcinho VP continua exercendo papel central na estrutura de comando da facção, sendo citado como liderança do chamado conselho federal permanente do grupo.
Entre outros integrantes citados nas apurações estão Doca, apontado como principal liderança da facção nas ruas; Luciano Martiniano da Silva, o “Pezão”, indicado como responsável pela gestão financeira; e Carlos da Costa Neves, o “Gardenal”, mencionado como responsável por operacionalizar determinações da liderança.