O Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou, nesta sexta-feira (20/03), o pedido de soltura do tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo, Geraldo Leite Rosa Neto. O oficial é acusado do feminicídio de sua esposa, a soldado da PM Gisele Alves Santana, crime ocorrido no mês passado no apartamento do casal.
A decisão foi proferida pelo ministro Reynaldo Soares da Fonseca, que barrou o recurso protocolado pela defesa (uma reclamação constitucional) por considerá-lo via inadequada para questionar o decreto de prisão emitido pela Justiça de São Paulo.
A justificativa da Corte Superior
Ao analisar o caso, o ministro Reynaldo Soares da Fonseca destacou que não havia fundamentos para o uso da reclamação, uma vez que o STJ não havia emitido ordens anteriores que estivessem sendo descumpridas.
“Não houve nenhum provimento emanado desta corte superior, no processo em tela, que pudesse vir a ser descumprido pelas instâncias ordinárias. Tem-se, portanto, manifesta a ausência de descumprimento de decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, o que inviabiliza, portanto, o conhecimento da presente reclamação”, justificou o magistrado.
Do suposto suicídio ao indiciamento por feminicídio
O caso teve uma reviravolta desde o mês passado, quando Gisele Alves Santana foi encontrada morta. Na ocasião, o próprio Geraldo acionou a polícia, alegando que a esposa havia atentado contra a própria vida.
Entretanto, o desenrolar das investigações desmentiu a versão inicial de suicídio. Mensagens encontradas no celular do tenente-coronel revelaram ameaças diretas contra a soldado. Além disso, a perícia e as provas coletadas levaram ao indiciamento do oficial não apenas por feminicídio, mas também por fraude processual.
Cronologia do Caso
A morte da Soldado Gisele Alves Santana
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18 de Fevereiro de 2026
O Crime e Contradições
07h28: Vizinha ouve disparo no Brás (SP).
07h57: Tenente-coronel Geraldo Rosa aciona o Copom relatando suicídio.
Inconsistência: Geraldo afirma estar no banho, mas socorristas o encontram seco e o banheiro sem sinais de uso. -
18 de Fevereiro (Tarde)
Possível Fraude Processual
Três mulheres policiais vão ao apartamento do casal para realizar uma limpeza do local horas após a ocorrência. Registro é alterado de suicídio para morte suspeita.
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19 de Fevereiro de 2026
Primeiro Laudo do IML
O laudo necroscópico inicial já aponta lesões na face e no pescoço (lateral direita) da soldado Gisele.
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06 de Março de 2026
Exumação do Corpo
O corpo da policial é exumado para a realização de novos exames detalhados.
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07 de Março de 2026
Confirmação de Agressão
Novo laudo confirma lesões contundentes na face e cervical, causadas por “estigma ungueal” (unhas) e pressão digital.
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17 de Março de 2026
Justiça e Indiciamento
Polícia Civil conclui inquérito e indicia o tenente-coronel por feminicídio e fraude processual. Justiça Militar concede prisão preventiva.
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18 de Março de 2026 (Hoje)
A Prisão
Geraldo Rosa Neto é preso em sua residência em São José dos Campos. Oficial deve ser transferido para o Presídio Militar Romão Gomes.
Provas cruciais: Câmeras corporais e ameaças
A investigação ganhou robustez com a análise das imagens captadas pelas câmeras corporais dos policiais que atenderam à ocorrência no dia do crime. Os registros mostraram a tentativa do tenente-coronel de alterar a cena do crime no apartamento.
Geraldo Leite Rosa Neto foi preso na última quarta-feira (18), após o indiciamento oficial. Com a negativa do STJ nesta sexta-feira, o oficial permanece sob custódia da Justiça.