Palácio Tiradentes | Foto: Richard Souza / GE
[Foto: Richard Souza / GE]
Em uma sessão extraordinária convocada para a tarde desta quinta-feira (26/03), o deputado estadual Douglas Ruas (PL) foi eleito o novo presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ). Com o resultado, Ruas deverá assumir automaticamente ao cargo de Governador em exercício do Estado.
Em fevereiro deste ano, ele já havia sido anunciado como o pré-candidato do PL ao governo do estado para o pleito de outubro. Ele assume a vaga ocupada interinamente até hoje pelo presidente do Tribunal de Justiça (TJRJ), Ricardo Couto. Dos 70 deputados que compõem o Legislativo, 46 compareceram para garantir o quórum de votação. Ruas consolidou sua vitória com 45 votos em um processo de votação aberta.
Após a confirmação do resultado, o novo presidente do legislativo fluminense afirmou receber com honra e orgulho a “missão de presidir a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro”, destacando que terá “muito trabalho pela frente em prol da população fluminense”.
Quem é Douglas Ruas
Douglas Ruas dos Santos, de 34 anos, ascende ao posto de governador em exercício do Rio de Janeiro com um histórico que une formação técnica e uma das maiores votações da história recente do estado. Bacharel em Direito e pós-graduado em Gestão Pública, Ruas é servidor concursado da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, mas foi na administração municipal e regional que consolidou sua trajetória.
Antes de chegar à Assembleia Legislativa, Douglas Ruas acumulou passagens pela administração pública:
- São Gonçalo: Atuou como subsecretário de Trabalho (2017-2018).
- INEA: Foi superintendente regional do Instituto Estadual do Ambiente entre 2019 e 2020.
- Gestão: Em 2021, assumiu a Secretaria de Gestão Integrada e Projetos Especiais de São Gonçalo. Nesta função, foi o mentor do Plano Estratégico “Novos Rumos”, projeto responsável por captação de recursos e obras estruturantes que redefiniram a infraestrutura da cidade.
Filho do atual prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, Douglas Ruas foi eleito para seu primeiro mandato na ALERJ como o segundo deputado estadual mais votado do Rio, somando 175.977 votos. Sua atuação na secretaria municipal foi o principal trampolim para a votação expressiva, baseada na interlocução direta entre o município e as esferas estadual e federal.
Votação aberta e plenário dividido
A convocação para o pleito ocorreu após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar, nesta quarta-feira (25), que a vacância no Palácio Guanabara deve ser preenchida via eleição indireta. A decisão veio acompanhada de uma correção na certidão do julgamento que condenou o ex-governador Cláudio Castro à inelegibilidade até 2030 por abuso de poder político e econômico na campanha de 2022.
A queda da linha sucessória
A realização de uma eleição indireta tornou-se o único caminho constitucional devido à vacância completa nos cargos de sucessão imediata. Cláudio Castro renunciou na última segunda-feira (23) visando uma vaga no Senado, mas foi surpreendido pela decisão do TSE na terça-feira (24), que o tornou inelegível por oito anos. Embora tenha afirmado que irá apresentar recurso, a decisão abalou os planos do ex-gestor.
A linha sucessória foi rompida por uma sequência de afastamentos e decisões judiciais:
- Thiago Pampolha: O ex-vice-governador deixou o cargo em 2025 para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). No processo do TSE, Pampolha foi condenado ao pagamento de multa.
- Rodrigo Bacellar: O então presidente da ALERJ está afastado do cargo e também foi declarado inelegível pelo TSE, com determinação de retotalização de seus votos — o que acarreta a perda do mandato de deputado.
Atualmente, o comando do Executivo fluminense está sob a responsabilidade interina do presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto.
O caso Rodrigo Bacellar e a Operação PF
O afastamento de Bacellar da presidência da Alerj é anterior à decisão do TSE. O parlamentar não exerce as funções desde 10 de dezembro de 2025, após ter sido preso na “Operação Unha e Carne” da Polícia Federal.
Investigações fundamentadas em mensagens interceptadas e autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) apontam que Bacellar teria vazado informações sigilosas sobre uma investigação contra o ex-deputado Thiego Raimundo, o “TH Joias”, acusado de intermediar armas para o Comando Vermelho.
Oposição
Poucas horas antes da votação marcada para definir o novo comando da ALERJ, deputados da oposição anunciaram que recorrerão à Justiça para tentar suspender o pleito extraordinário. Paralelamente, o deputado Chico Machado (PSD, comunicou oficialmente a desistência de sua candidatura.
Raio-X da Votação na Alerj
Por que a eleição foi indireta?
Porque o estado ficou sem Governador (renúncia e inelegibilidade de Castro) e sem Vice (saída de Pampolha). Nestes casos, cabe à Assembleia Legislativa eleger um novo presidente para assumir o governo.
Douglas Ruas assumirá o governo em definitivo?
Ele poderá assumir de forma interina até as eleições majoritárias de outubro, nas quais ele próprio é pré-candidato oficial pelo PL.
Qual a situação jurídica de Rodrigo Bacellar?
Bacellar foi cassado pelo TSE por abuso de poder e permanece sob investigação do STF por suposto vazamento de dados para facções criminosas.