[Foto: Divulgação / NASA / John Kraus]
O mundo volta seus olhos para o espaço nesta segunda-feira, 06 de abril de 2026. Após cinco dias de jornada, a espaçonave Orion, da NASA, alcançará o ponto mais crítico e emocionante de sua trajetória: o sobrevoo lunar. Com uma tripulação composta por Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, o dia será marcado pela quebra de um recorde que perdura desde a era Apollo e pela observação direta de áreas da Lua nunca antes vistas por olhos humanos.
Devido à complexidade das atividades, a NASA informou que não haverá a tradicional reunião diária de status nesta segunda-feira, concentrando todos os esforços na cobertura em tempo real, que começará às 13h (horário do leste dos EUA).
Um dos momentos mais aguardados ocorrerá às 13h56. Neste horário, a Artemis II deverá superar o recorde estabelecido pela lendária tripulação da Apollo 13 em 1970. Enquanto os astronautas de 1970 chegaram a 248.655 milhas da Terra, a Artemis II atingirá a distância máxima de 252.757 milhas (cerca de 406.700 km). Um pronunciamento oficial da tripulação sobre este marco histórico está previsto para as 14h10.
O lado oculto e o ponto cego da comunicação
A partir das 14h45, terá início um período de sete horas de observação lunar. Divididos em duplas devido ao espaço limitado das janelas da Orion, os astronautas observarão tanto o lado visível quanto o lado oculto da Lua.
Às 18h47, a missão enfrentará um momento de silêncio: a comunicação com a Terra será temporariamente interrompida quando a Orion passar por trás da Lua. Pouco depois, às 19h02, ocorrerá a maior aproximação da superfície lunar, a apenas 6.540 quilômetros de distância. Neste ponto, a Lua parecerá aos astronautas do tamanho de uma bola de basquete segurada com o braço estendido.
Ciência com olhos humanos
Embora sondas robóticas já tenham mapeado a Lua, a NASA destaca que o cérebro humano é mais sensível a mudanças sutis de textura e cor. Os astronautas da Artemis II podem revelar descobertas que as câmeras automáticas não captaram. Após o período de observação, que termina às 21h20, a equipe começará a transmitir as imagens para que os cientistas em solo analisem os dados durante a madrugada.
Cronograma: Artemis II – Segunda-feira (06/04)
| Horário (EDT) | Atividade / Marco da Missão |
|---|---|
| 13:00 | Início da transmissão ao vivo oficial da NASA. |
| 13:30 | Briefing final: Revisão dos objetivos e iluminação lunar. |
| 13:56 | Quebra do recorde histórico de distância da Apollo 13. |
| 14:45 | Início das 7 horas de observação lunar (lados visível e oculto). |
| 18:47 | Perda temporária de sinal (Nave Orion passa atrás da Lua). |
| 19:02 | Ponto de maior aproximação da Lua (6.540 km da superfície). |
| 19:27 | Restabelecimento das comunicações com a Terra. |
| 20:35 | A Lua começa a eclipsar o Sol (visto da nave). |
| 21:20 | Fim das observações e início da transferência de imagens. |
Entenda a Missão Artemis II: O retorno da humanidade ao espaço profundo
A Artemis II não é apenas um voo isolado, mas o alicerce para a presença humana permanente na Lua. Baseando-se no sucesso da missão não tripulada Artemis I, realizada em 2022, este voo de teste marca a primeira vez que o foguete SLS (Space Launch System) e a espaçonave Orion transportam seres humanos. Durante 10 dias, a tripulação — composta pelo comandante Reid Wiseman, o piloto Victor Glover e os especialistas Christina Koch (NASA) e Jeremy Hansen (CSA) — confirmará se todos os sistemas operam conforme o projetado no ambiente implacável do espaço profundo.
Uma jornada ousada em formato de “Oito”
A missão começou no histórico Complexo de Lançamento 39B, na Flórida, mas o verdadeiro desafio ocorre longe da Terra. Impulsionada pelo módulo de serviço europeu, a Orion executa uma manobra de injeção translunar que coloca os astronautas em uma trajetória de “retorno livre”. Em uma viagem de ida de quatro dias, eles contornarão o lado oculto da Lua, chegando a voar 7.400 quilômetros além do satélite. O diferencial desta estratégia é a eficiência: em vez de usar combustível pesado para voltar, a nave aproveita a própria gravidade da Lua e da Terra para ser “puxada” naturalmente de volta para casa.
O desafio final: A reentrada e o resgate
Após quatro dias de viagem de retorno, o teste definitivo será a reentrada na atmosfera terrestre. A tripulação enfrentará velocidades extremas e temperaturas altíssimas antes de amerissar no Oceano Pacífico, ao largo da costa de San Diego. Lá, uma equipe conjunta da NASA e do Departamento de Defesa já estará posicionada para o resgate, selando o sucesso de uma missão que visa não apenas bater recordes, mas inspirar a próxima geração de exploradores a estabelecer bases científicas de longo prazo na superfície lunar.
Ficha técnica da missão
| Atributo | Detalhes |
| Tipo de Missão | Sobrevoo lunar tripulado (Espaço Profundo) |
| Tripulação | 4 Astronautas (Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen) |
| Data de Lançamento | 1 de abril de 2026 |
| Duração Total | Aproximadamente 10 dias |
| Distância Máxima | Mais de 370.000 km da Terra |
| Local de Pouso | Oceano Pacífico (Costa de San Diego) |
*Com informações de NASA