[Foto: Ilustrativa/ Google AI]
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) publicou, nesta quinta-feira (12/03), um informe de segurança para alertar sobre os riscos de complicações associados ao uso indevido de preenchedores dérmicos utilizados em procedimentos estéticos.
Entre os produtos citados estão a hidroxiapatita de cálcio, o ácido hialurônico, o poli-L-ácido lático (PLLA) e os preenchedores permanentes à base de polimetilmetacrilato (PMMA). Todos são produtos injetáveis e classificados como dispositivos médicos de classe de risco III ou IV, considerados de alto ou máximo risco, e só podem ser comercializados se possuírem registro na Anvisa.
De acordo com a agência, a aplicação desses produtos em regiões anatômicas não indicadas ou em quantidades diferentes das previstas nas instruções de uso pode causar danos à saúde e gerar consequências clínicas incapacitantes ou de difícil tratamento.
Possíveis efeitos adversos
Segundo a ANVISA, o uso fora das indicações pode provocar eventos adversos que variam de leves a graves.
Entre os efeitos considerados mais graves estão:
- embolia pulmonar;
- deficiência visual temporária ou permanente causada por oclusão vascular.
Também foram relatadas complicações sistêmicas, como:
- inflamação granulomatosa, um tipo crônico de resposta imune;
- aumento do nível de cálcio no sangue;
- formação de cálculos renais;
- insuficiência renal com necessidade de hemodiálise.
Orientações da ANVISA
A agência recomenda que, antes de realizar qualquer procedimento com preenchedores dérmicos, sejam verificadas as regiões e os volumes permitidos para aplicação, conforme descrito nas instruções de uso do produto.
Também orienta que a população procure sempre a avaliação de um profissional de saúde qualificado antes de iniciar um tratamento estético.
Em caso de sinais ou sintomas que indiquem possíveis complicações, a recomendação é procurar atendimento profissional especializado.
A Anvisa ressalta ainda a importância de verificar se:
- o produto está regularizado pela agência;
- o serviço é autorizado;
- o profissional responsável possui qualificação para realizar o procedimento.
Responsabilidade dos profissionais
De acordo com o informe, cabe ao profissional de saúde avaliar o paciente e elaborar o plano de tratamento em conjunto com ele, apresentando informações sobre riscos e possíveis complicações imediatas, precoces ou tardias.
A agência também orienta que seja entregue ao paciente o cartão de rastreabilidade do produto utilizado, mantendo uma cópia no prontuário. Caso haja suspeita de evento adverso relacionado ao uso de preenchedores dérmicos, o caso pode ser comunicado à Anvisa.
Denúncia de produtos irregulares
A agência informou que denúncias sobre produtos irregulares, empresas não licenciadas ou promoção do uso desses produtos para finalidades não autorizadas podem ser registradas no sistema Fala.BR, da Ouvidoria.
Histórico regulatório
Nos últimos anos, a agência tem divulgado comunicados sobre a segurança no uso de produtos injetáveis e orientações relacionadas a serviços de estética e embelezamento.
Em 2025, a ANVISA também publicou um alerta sobre o uso fora das indicações aprovadas (off label) de preenchedores à base de PMMA, com a descrição das situações autorizadas para uso em tratamentos reparadores.