[Foto: Ilustrativa / LensGO]
A celebração da Páscoa em 2026 apresenta um cenário de contrastes para o consumidor brasileiro. De um lado, os dados estatísticos apontam para um alívio; de outro, os itens mais tradicionais da mesa seguem em uma escalada de preços que pode comprometer o orçamento. Segundo o mais recente levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), individualmente, os símbolos da data registraram aumentos significativos, enquanto o conjunto da cesta apresenta queda no acumulado de 12 meses.
Os números revelam que a cesta de Páscoa teve um recuo médio de 5,73% em 2026, após já ter registrado uma queda de 6,77% em 2025. Entretanto, para quem olha o histórico de longo prazo, a sensação é de carestia: nos últimos quatro anos, a cesta acumulou uma alta de 15,37%.
O vilão da vez: Chocolates e Bombons
Se a Páscoa é sinônimo de chocolate, o bolso do consumidor deverá sentir o amargo desta conta. De acordo com os dados apresentados pelo IBRE, os bombons e chocolates mantiveram uma trajetória ascendente ininterrupta, registrando aumentos sucessivos desde 2023. Somente no último período (2026), a alta foi de 16,71%, totalizando um aumento acumulado impressionante de 49,26% no quadriênio.
O economista Matheus Dias, responsável pelo levantamento, explica que a queda nas matérias-primas não chega rápido ao varejo. “A cesta também revela que os repasses de quedas provenientes de melhoras na produção agrícola são mais complexos e apresentam defasagens mais longas em produtos industrializados. É o caso dos chocolates: mesmo com o cacau, sua principal matéria-prima, registrando quedas sucessivas no mercado internacional desde outubro de 2025 — chegando a recuar cerca de 60% em relação aos últimos 12 meses — os preços dos chocolates ao consumidor seguiram em alta de 16,71% no período”, afirma Dias.
Bacalhau e Pescados pesam na conta final
Outro item indispensável, o bacalhau, também não deu trégua. Com altas sucessivas interrompidas apenas por uma leve queda em 2024, o produto acumulou 31,21% de aumento nos últimos quatro anos. O atum seguiu o mesmo ritmo, destacando-se entre os pescados com uma inflação acumulada de 38,98%.
De acordo com Matheus Dias, a queda do índice geral da cesta não conta toda a verdade. “O fato da cesta de Páscoa ter registrado quedas consecutivas em 2025 e 2026, influenciada por hortaliças, legumes e azeite, conta apenas metade da história. Quando analisamos mais de perto, por um período mais longo, vemos que itens cujos preços médios são mais elevados, como é o caso do bacalhau, atum e chocolates, tiveram altas expressivas não somente em relação ao ano passado, mas sucessivamente ao longo do tempo, fazendo com que o preço pago pelo consumidor esteja sempre crescendo.”
Alívio no azeite e nos acompanhamentos
Para quem busca equilibrar os gastos, o alívio vem de itens que já foram vilões em anos anteriores. O azeite, que registrou altas severas até 2025, finalmente apresentou um forte recuo de 23,20% em 2026. Os ovos de galinha também recuaram 14,56% no último ano.
Produtos básicos como o arroz (-26,11%) e a cebola (-9,64%) também ajudaram a puxar a média da cesta para baixo, oferecendo um respiro necessário para a composição da ceia pascoal.
*Com informações de FGV IBRE