Pistolas e munições | Foto: Richard Souza / AN
[Foto: Arquivo / Richard Souza / AN]
A Região dos Lagos é um dos alvos centrais da Operação Shadowgun, deflagrada nesta quinta-feira (12/03) pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. A ofensiva federal busca desarticular uma organização criminosa interestadual especializada na fabricação e venda de material bélico produzido por meio de impressão 3D. Na região, agentes da 32ª DP (Taquara) cumprem mandados de busca e apreensão em endereços ligados a compradores de carregadores e armamentos não rastreáveis.
De acordo com as investigações, o esquema envolve a comercialização das chamadas “armas fantasmas”, equipamentos que podem ser montados com materiais de fácil acesso e que não possuem rastreabilidade. No estado do Rio, foram identificados 10 compradores, com foco direto em cidades como Araruama, São Pedro da Aldeia e Armação dos Búzios.
Ao comentar a operação policial, o Governador do estado do Rio de Janeiro, Claudio Castro, disse que “retirar armas das mãos de criminosos é uma das frentes mais importantes no combate ao crime. Cada arma ilegal apreendida significa menos violência nas ruas e mais proteção para a população.”
Conexão com o crime organizado local
O trabalho investigativo aponta que o destino do material bélico na Região dos Lagos e no Norte Fluminense “teria como fim as mãos do crime organizado, como o tráfico de drogas e a milícia”.
As autoridades revelaram que a maioria dos envolvidos que adquiriram as peças já responde criminalmente por delitos graves. Um dos compradores identificados na rede, inclusive, já se encontra encarcerado após uma prisão em flagrante com grande volume de armas e munições.
O “Ecossistema Clandestino” das armas 3D
Segundo a Polícia, a organização era liderada por um engenheiro especializado em controle e automação, que utilizava conhecimentos técnicos avançados para desenvolver projetos semiautomáticos. Ele criou um manual detalhado de mais de cem páginas que permitia a fabricação de armas em poucas semanas por qualquer pessoa com acesso a impressoras 3D de baixo custo.
Além da produção física de carregadores alongados em sua própria residência, o grupo operava em fóruns e na dark web, utilizando criptomoedas para financiar as atividades e garantir o anonimato das transações interestaduais.
Ofensiva em 11 estados
Ao todo, os agentes cumprem 4 mandados de prisão em São Paulo e 32 de busca e apreensão em 11 estados diferentes. A ação conta com o apoio estratégico do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), do Gaeco do Ministério Público e de organismos internacionais.