O cenário econômico de março de 2026 trouxe um novo alerta para o bolso dos brasileiros. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, acelerou para 0,88%, superando em 0,18 ponto percentual a taxa de fevereiro (0,70%). Com esse resultado, o índice acumula uma alta de 1,92% no primeiro trimestre e chega a 4,14% nos últimos 12 meses, rompendo a barreira dos 3,81% registrados até o mês anterior.
Segundo os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o mês foi marcado por uma concentração de altas: os grupos Transportes (1,64%) e Alimentação e bebidas (1,56%) foram, sozinhos, responsáveis por 76% de todo o impacto inflacionário do período.
A “vilã” gasolina e a disparada do diesel
O setor de Transportes foi o que mais pressionou o índice. A variação do grupo mais que dobrou em relação a fevereiro, saltando de 0,74% para 1,64%. O motor dessa alta foi o preço dos combustíveis, que subiram, em média, 4,47%.
O destaque individual absoluto foi a gasolina. Após uma leve trégua com queda de 0,61% em fevereiro, o combustível deu um salto de 4,59% em março, gerando o maior impacto individual no índice do mês (0,23 p.p.). Mas não foi o único: o óleo diesel apresentou uma variação impressionante, saindo de 0,23% em fevereiro para 13,90% em março.
No transporte público, a dinâmica foi mista. Enquanto as passagens aéreas desaceleraram para 6,08%, o subitem ônibus urbano (1,17%) incorporou reajustes de tarifas em Porto Alegre (6,00%) e Recife (4,46%), além de mudanças no cálculo de gratuidades aos domingos em capitais como São Paulo, Belém e Belo Horizonte.
Mesa do brasileiro mais cara: Tomate e Leite em alta
Se nos postos o clima foi de alta, nos supermercados a situação não foi diferente. O grupo Alimentação e bebidas saltou de uma variação de 0,26% para 1,56%. O consumo dentro de casa ficou significativamente mais caro (1,94%), impulsionado por uma safra de reajustes em itens básicos:
- Tomate: alta de 20,31%
- Cebola: alta de 17,25%
- Batata-inglesa: alta de 12,17%
- Leite longa vida: alta de 11,74%
- Carnes: alta de 1,73%
Comer fora de casa também ficou mais custoso, com destaque para os lanches, que passaram de uma variação de 0,15% para 0,89%.
De Salvador a Rio Branco: as diferenças regionais
A inflação não atingiu o Brasil de forma uniforme. Salvador registrou a maior variação do país (1,47%), castigada pela combinação explosiva da alta da gasolina (17,37%) e das carnes (3,56%).
Na outra ponta, Rio Branco teve a menor variação do mês (0,37%). O resultado no Acre foi garantido pela queda nos preços da energia elétrica residencial (-3,28%) e das frutas (-3,72%), que ajudaram a segurar o índice local. No Rio de Janeiro, apesar da inflação geral, houve alívio nas contas de gás encanado, que caíram 0,24% devido à redução nas tarifas desde fevereiro.
INPC: O impacto nas famílias de menor renda
Para as famílias que ganham entre 1 e 5 salários mínimos, o impacto foi ainda mais sentido. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) subiu 0,91% em março, acumulando 3,77% em 12 meses. O maior peso veio justamente dos produtos alimentícios, que aceleraram de 0,26% para 1,65% para esse perfil de consumidor.
Raio-X da Inflação
Qual foi a inflação oficial de março?
O IPCA foi de 0,88%, acumulando 4,14% nos últimos 12 meses.
Por que os preços subiram tanto neste mês?
76% da alta foi causada por apenas dois grupos: Transportes (combustíveis) e Alimentação (especialmente tomate, cebola e leite).
Quanto a gasolina subiu?
A gasolina subiu 4,59% em março, sendo o item que mais pesou individualmente no índice.
Qual foi a maior alta entre os alimentos?
O tomate liderou a lista com um aumento de 20,31% no mês de março.
Onde a inflação foi mais alta e mais baixa?
A maior alta foi em Salvador (1,47%) e a menor em Rio Branco (0,37%).
*Com informações de IBGE