Representação de inteligência artificial | Foto: Ilustrativa / LensGo
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O Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou um artigo analisando o potencial da inteligência artificial (IA) para impulsionar a produtividade econômica na Europa. No texto, os autores avaliam que a adoção da tecnologia avança mais rapidamente do que inovações anteriores, como o computador pessoal e a internet, e tem capacidade de automatizar tarefas e ampliar as habilidades humanas, especialmente em atividades baseadas em conhecimento.
Segundo o estudo, os impactos de curto e médio prazo da IA sobre a produtividade europeia tendem a ser limitados caso não haja reformas adicionais. Sem mudanças estruturais, o ganho acumulado de produtividade no continente seria de cerca de 1,1% ao longo de cinco anos. Com políticas favoráveis ao crescimento, no entanto, os efeitos podem ser significativamente maiores no longo prazo.
O artigo destaca que os benefícios da IA variam entre os países. Economias de renda mais alta, com maior participação de serviços administrativos, gerenciais e profissionais, tendem a se beneficiar mais, pois esses setores apresentam maior exposição à automação baseada em IA e maiores incentivos à adoção da tecnologia devido aos custos elevados de mão de obra. Já países de renda mais baixa podem registrar ganhos mais modestos, o que pode ampliar, de forma temporária, as diferenças de produtividade dentro da Europa.
No horizonte de longo prazo, o FMI aponta que os efeitos podem ser mais expressivos. A evolução dos modelos de IA pode contribuir para a criação de novos setores econômicos, cadeias de valor e para o aumento permanente da produtividade, ao acelerar processos de pesquisa e desenvolvimento. Há evidências, por exemplo, de ganhos na área farmacêutica, com o uso de IA no desenvolvimento de novos medicamentos.
Para capturar plenamente esse “dividendo de crescimento”, o artigo defende que a Europa precisa aprofundar o mercado único, reduzir barreiras nacionais, harmonizar padrões e facilitar a atuação de empresas inovadoras em escala continental. O fortalecimento dos mercados de capitais, a ampliação do financiamento para investimentos de risco, a maior mobilidade da força de trabalho e a oferta de energia acessível e confiável também são apontados como fatores essenciais.
O texto conclui que a regulação da IA deve ser flexível e adaptável, equilibrando a mitigação de riscos com a necessidade de estimular a inovação. De acordo com o artigo, as decisões de política pública adotadas no presente serão determinantes para que a Europa consiga transformar a inteligência artificial em um motor efetivo de crescimento econômico e produtividade no futuro.
Com informações do IMF Blog.