Giroscópio de carro de polícia | Foto: Ilustrativa / LensGo
[Foto: Ilustrativa / LensGo]
Uma operação deflagrada pela Polícia Civil nesta quarta-feira (18/03) revelou a profundidade de um esquema de crimes cibernéticos que operava a partir de Santo Antônio de Pádua, no noroests fluminense. Agentes da 136ª DP, sob coordenação de inteligência iniciada em dezembro de 2025, prenderam dois homens e desvendaram um sistema de acesso ilícito a bases de dados restritas do governo, utilizado para monitorar autoridades e beneficiar grupos criminosos.
A investigação aponta que o principal suspeito não apenas invadia os sistemas para consultas, mas monetizava o acesso ilegal. Entre as fraudes mais graves sob apuração está a emissão irregular de alvarás de soltura, técnica que consistia na manipulação direta dos sistemas judiciais e de custódia para colocar criminosos em liberdade de forma fraudulenta.
Espionagem contra autoridades e facções
O trabalho de inteligência da 136ª DP descobriu que o invasor realizava buscas minuciosas em bancos de dados governamentais para obter informações sensíveis sobre integrantes da facção Comando Vermelho atuantes na região.
O alcance do monitoramento ilícito, entretanto, ultrapassou o mundo do crime: as autoridades identificaram pesquisas ilegais envolvendo dados pessoais de policiais civis, policiais militares e até de um político de Santo Antônio de Pádua. Segundo a polícia, o criminoso recebia pagamentos recorrentes para executar essas consultas.
Modus Operandi: O Esquema em Pádua
Invasão de Sistemas
Acesso não autorizado a bancos de dados governamentais restritos por meio de vulnerabilidades digitais.
Espionagem Estratégica
Monitoramento de policiais (civis e militares), 1 político local e integrantes da facção Comando Vermelho.
Monetização e Fraude
Venda de informações sigilosas e manipulação de sistemas para a emissão irregular de alvarás de soltura.
Ocultação de Bens
Uso de criptomoedas, bancos digitais e contas poupança para movimentar os lucros do crime (R$ 56 mil bloqueados).
Destruição de Provas
Tentativa de fraude processual mediante a destruição física de equipamentos (celulares) durante a abordagem policial.
Flagrante e resistência no bairro Farol
A ofensiva desta quarta-feira concentrou-se no bairro Farol. De acordo com informações da Policia Civil, o principal alvo foi localizado e detido na residência de sua namorada, onde também foi autuado em flagrante por posse ilegal de arma de fogo. Durante as buscas, a equipe apreendeu:
- Um computador (principal ferramenta das invasões);
- Uma arma de fogo e porções de maconha;
- Anotações detalhadas sobre o esquema;
- Uma motocicleta com sinais de adulteração.
Um segundo homem foi preso no local por fraude processual. Segundo os oficiais, ao perceber a aproximação dos agentes, ele se recusou a entregar o aparelho celular e danificou propositalmente.
Bloqueio bancário e rastro digital
Além das prisões, a Polícia Civil obteve autorização judicial para o bloqueio de R$ 56 mil em uma conta poupança utilizada pelos suspeitos. As investigações agora entram em uma nova fase, focada na perícia dos equipamentos eletrônicos. O objetivo é mapear movimentações financeiras em bancos digitais e criptomoedas, além de apurar o envolvimento do grupo em crimes de estelionato.
| O que você precisa saber | Detalhes Oficiais da 136ª DP |
|---|---|
| Qual era o objetivo das invasões? | Consultar dados sigilosos de policiais, políticos e membros de facções, além de emitir alvarás de soltura ilegais. |
| Onde e como ocorreram as prisões? | No bairro Farol, em Pádua. Dois homens foram presos — um por posse de arma e invasão, e outro por destruir provas. |
| Quais valores foram bloqueados? | A Justiça determinou o bloqueio de R$ 56 mil encontrados em uma conta vinculada ao esquema. |
| Há relação com o Comando Vermelho? | Sim. As investigações apontam que o grupo consultava informações restritas sobre membros da facção na região. |
| O que a polícia investiga agora? | Movimentações em criptomoedas, bancos digitais e possíveis práticas de estelionato por meio dos dados obtidos. |
*Com informações de PCERJ