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Celebrado anualmente em 21 de março, o Dia Mundial da Poesia não é apenas uma data de recordação literária, mas um manifesto vivo em favor de uma das formas mais preciosas de expressão cultural, linguística e de identidade da nossa espécie. Em um mundo cada vez mais acelerado e digital, a poesia resiste como um espaço de pausa, reflexão e, sobretudo, de resistência para línguas.
A oficialização da celebração ocorreu durante a 30ª Conferência Geral da UNESCO, realizada em Paris, no ano de 1999. O objetivo central da entidade foi apoiar a diversidade linguística através da expressão poética, criando oportunidades para que línguas ameaçadas fossem ouvidas. Como bem declarou a UNESCO, “A poesia continua a unir pessoas em todos os continentes”.
A ONU estabeleceu pilares claros para a data: homenagear poetas, reviver tradições orais, promover o ensino nas escolas e fomentar a convergência entre a poesia e outras artes.
Machado de Assis: O Soberano das letras brasileiras
No Brasil, esse diálogo entre gerações encontra um porto seguro nos clássicos. A sexta edição da pesquisa Retratos da Leitura, realizada pelo Instituto Pró-Livro em 2024, trouxe dados contundentes sobre a nossa identidade literária. Machado de Assis figura em primeiro lugar entre os autores mais conhecidos dos leitores brasileiros, liderando também como o autor favorito e o autor do último livro lido pelos entrevistados.
O levantamento, realizado com 5.504 entrevistas em 208 municípios, confirma que a herança de Machado, ao lado de nomes como Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Vinicius de Moraes, Manuel Bandeira, Mario Quintana, Cora Coralina e Paulo Leminski, permanece como a base da nossa formação intelectual.
O lápis e o coração: A vivência de Angela Oliveira
Essa conexão profunda com os mestres é o que molda trajetórias como a da escritora e poetisa Angela Oliveira. Para ela, a poesia não é apenas um gênero literário, mas uma herança da infância que floresceu no topo das árvores. “Conheci os livros na infância e ainda na infância apaixonei-me por escrever. Menina, subia numa enorme árvore, levando um caderno e um lápis, e lá escrevia minhas primeiras poesias”, recorda.
O encontro de Angela com a obra do líder das pesquisas nacionais foi o divisor de águas em sua vida: “Eu tinha dez anos quando me apaixonei pela poesia. Estava apreciando versos lindos, profundos e inesquecíveis do grande Machado de Assis. Percebi que os olhos, a alma e o coração se unem nessa leitura plena de significado, permeada de sentimentos, e iluminada pela emoção. Foi algo mágico e definitivo. Na ocasião, passei a escrever poesias”.
Essa paixão transformou-se em missão pedagógica. Angela buscou ser professora para alfabetizar futuros escritores, dedicando décadas ao ensino da leitura e escrita. Hoje, de volta às publicações, ela mantém a essência do que acredita ser o fazer poético: “Para mim, escrever poesia é permitir que um lápis anote tudo que o coração ditar. É permitir que as emoções fluam e expressem a intensidade, beleza e magnitude dos sentimentos”.
A Poesia como elo de união
Angela Oliveira acredita que a poesia tem o poder de unir pessoas oriundas de qualquer realidade, desde que nelas exista sensibilidade e a “coragem” capaz de dar vez e voz aos sentimentos. Segundo a autora, a melhor forma de celebrar este 21 de março seria oportunizar a vivência com a poesia, “entendendo que ela deve ser escrita, lida e ouvida pelo coração”.
Seja na cultura escrita ou falada, o verso desperta o interesse de novos leitores, declamadores e escritores, cumprindo o papel fundamental de difundir e valorizar as tradições locais e nacionais.