[Foto: Ilustrativa/ Google AI]
Mentir pode ser um ato milenar, mas celebrar a mentira tem data e contexto histórico definidos. O Dia da Mentira, também conhecido como Dia dos Tolos, encontra suas raízes em uma confusão de calendários no século 16 e em uma pegadinha jornalística que “matou” o imperador do Brasil no século 19.
Neste 1º de abril, revisitamos as origens dessa tradição que mistura religião, astronomia e o bom e velho humor satírico.
A confusão dos calendários
Embora a Encyclopedia Britannica aponte semelhanças com festivais antigos, como a Hilária da Roma Antiga ou o Holi na Índia, a versão mais aceita para o surgimento do 1º de abril está na transição do Calendário Juliano para o Calendário Gregoriano.
Por determinação do Concílio de Trento (1545-1563), o início do ano, que antes era celebrado na Páscoa, passou para 1º de janeiro. Na França, a mudança foi promulgada pelo rei Carlos IV em 1564. No entanto, parte da população se recusou a aceitar a nova contagem do tempo. Aqueles que permaneceram apegados aos antigos costumes e celebravam o Ano Novo em abril passaram a ser zombados e chamados de “tolos de abril”.
O Dia da Mentira no Brasil: Uma peça em Dom Pedro I
No Brasil, a tradição de pregar peças teria começado de forma oficial em 1º de abril de 1828. A iniciativa partiu de um jornal impresso mineiro apropriadamente batizado de “A Mentira”.
Em sua primeira edição, o periódico estampou na capa a notícia da morte de Dom Pedro I. A “brincadeira” causou alvoroço, já que o monarca estava vivo e só viria a falecer anos depois, em setembro de 1834, em Portugal. Desde então, o costume de inventar notícias falsas para “fazer alguém de bobo” se enraizou na cultura brasileira.
O “Peixe de Abril” e a natureza
A simbologia da data varia entre as culturas:
- França: O enganado é chamado de poisson d’avril (“peixe de abril”), uma alusão ao peixe jovem e fácil de ser capturado.
- Hemisfério Norte: Há quem ligue a data ao equinócio de primavera (21 de março), onde o clima instável costuma “enganar” as pessoas com dias alternados de frio e calor.
Hoje, com a internet, o 1º de abril ganhou nova escala, mas a essência permanece: uma disputa de criatividade para ver quem consegue fazer o outro “cair na mentira”.