[Foto: Ilustrativa / LensGo]
O cenário da educação pública no Rio de Janeiro será de paralisação total nesta quinta-feira, dia 9 de abril. Em um movimento unificado, profissionais das redes municipal e estadual decidiram interromper as atividades por 24 horas para cobrar recomposição salarial, cumprimento de acordos judiciais e abertura de canais de negociação com o poder público.
Esta é a segunda vez no ano que ambas as redes suspendem as aulas, a municipal já havia paralisado em 12/03 e a estadual em 18/03. O dia será marcado por assembleias e atos no Centro da capital, mobilizando servidores que denunciam anos de arrocho e perdas inflacionárias.
Rede Municipal do Rio: O legado de Paes e a “Lei da Minutagem”
Na rede municipal, a categoria se reúne às 14h na Cinelândia para uma assembleia, seguida de ato às 15h. Segundo o Sepe, o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) renunciou ao cargo para concorrer às eleições de outubro sem nunca ter recebido o sindicato em quase oito anos de gestão.
Um estudo do Dieese-Sepe aponta que a perda salarial dos profissionais do município, de março de 2019 a dezembro de 2025, alcançou 19,40%. O reajuste de 4,71% concedido no final de 2025 foi classificado como “insignificante” pela categoria, que calcula a necessidade de um aumento de 24,07% para recompor o poder de compra. Além do salário, os servidores protestam contra o vale-alimentação de R$ 12, congelado há 14 anos, e o pacote de medidas de 2024, que inclui a contestada “Lei da Minutagem”.
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Rede Estadual: Cobrança pelo Piso Nacional e acordos não cumpridos
Já os profissionais da rede estadual iniciam a mobilização mais cedo nesta quinta (09), com assembleia às 10h no Clube de Engenharia, seguida de um protesto em frente à Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A pauta principal é a implementação do Piso Nacional do Magistério e dos funcionários, além do cumprimento do acordo de 2021.
De acordo com o sindicato, o governo estadual pagou apenas a primeira parcela (13,5%) de uma recomposição acordada em 26,5%. As duas parcelas restantes, previstas para 2023 e 2024, seguem em aberto. O levantamento do Dieese-Sepe é contundente: para que o salário da rede estadual retornasse ao poder de compra de julho de 2014, o reajuste necessário em 2026 seria de 56,74% (IPCA-IBGE).
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Nota da Redação: A equipe da Gazeta Expressa entrou em contato com a Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) e com a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro para solicitar um posicionamento oficial sobre as pautas de reivindicação e o cronograma de paralisação anunciado pelos profissionais. Até o fechamento desta edição, não houve retorno de ambas as pastas. O espaço segue aberto para futuras manifestações das secretarias e atualizações sobre as negociações.
*Com informações de Sepe-RJ