[Foto: Ilustrativa / LensGO]
A edição mais recente do Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgada nesta quinta-feira (26/03), sinaliza um aumento sustentado no número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em todas as unidades da Federação (UF) na tendência de longo prazo.
O fenômeno, que abrange as últimas seis semanas até o dia 21 de março (Semana Epidemiológica 11), é impulsionado pela influenza A, rinovírus e vírus sincicial respiratório (VSR). Em 2026, o país já soma 24.281 notificações de SRAG, das quais 38,9% tiveram confirmação laboratorial para algum vírus respiratório.
Mapa do Risco: Nordeste e Sudeste em alerta
A análise regional revela disparidades na circulação da influenza A. Enquanto estados como Pará, Ceará e Pernambuco mostram indícios de interrupção no crescimento, o vírus da gripe continua avançando em:
- Nordeste: Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia.
- Sudeste: Rio de Janeiro e Espírito Santo.
- Norte: Amapá e Rondônia.
- Centro-Oeste: Mato Grosso.
Segundo os dados apresentados pela Fiocruz, ao todo, 22 das 27 capitais brasileiras encontram-se em níveis de alerta, risco ou alto risco. Cidades como Rio de Janeiro, Brasília, Salvador e Belo Horizonte estão entre os centros urbanos que apresentam sinais de crescimento na tendência de longo prazo.
O impacto geracional: do Rinovírus à Influenza
O rinovírus tem sido o principal motor das internações entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos. Já o VSR castiga os bebês menores de 2 anos, com forte presença no Acre, Amazonas e Maranhão.
No grupo de jovens, adultos e idosos, a influenza A assume o protagonismo das hospitalizações. Entre os óbitos confirmados nas últimas quatro semanas, a gripe foi a causa de 35,9% das mortes, superando a Covid-19 (29,1%). A mortalidade semanal média mantém um padrão de maior impacto nos extremos da vida: crianças pequenas e idosos.
Recomendações e prevenção
A pesquisadora Tatiana Portella, da Fiocruz, enfatiza a necessidade urgente de imunização. Segundo ela, é essencial que grupos de risco, como idosos e crianças, tomem a vacina da influenza assim que chegar aos postos para frear o crescimento das hospitalizações.
Em áreas de alta transmissão, Portella recomenda o uso de máscaras em locais fechados e aglomerados. “Além disso, em caso de sintomas de gripe ou resfriado, o ideal é fazer isolamento dentro de casa, mas se não for possível, recomendamos sair usando uma boa máscara, como PFF2 ou N95, para evitar transmitir o vírus para outras pessoas”, orienta.
*Com informações de Fiocruz