[Foto: Richard Souza / MS]
Minas Gerais é o estado brasileiro com a maior área urbanizada em alta declividade, ou seja, construída em encostas íngremes que oferecem risco aos moradores. O dado foi divulgado nesta quarta-feira (04/03) pelo MapBiomas, no Mapeamento Anual das Áreas Urbanizadas no Brasil.
De acordo com os dados, no estado, onde fortes chuvas deixaram 72 mortos e um desaparecido na última semana, há quase 14,5 mil hectares ocupados por moradias em áreas consideradas de risco. Cada hectare corresponde a 10 mil metros quadrados, dimensão superior à de um campo de futebol profissional.
Outros estados também concentram grandes extensões urbanizadas em terrenos inclinados: Rio de Janeiro, com mais de 8,5 mil hectares; São Paulo, com 8,1 mil hectares; e Santa Catarina, com 3,7 mil hectares.
Juiz de Fora está entre as cidades com maior área em declive
Município mais atingido pelas chuvas na Zona da Mata mineira, com 65 mortes, Juiz de Fora é a terceira cidade brasileira com maior área urbanizada em declive. Em 2024, o município registrava 1.256 hectares construídos em áreas onde a inclinação representa risco elevado de deslizamento.
As capitais Rio de Janeiro e São Paulo ocupam as primeiras posições no ranking, com 1,7 mil hectares e 1,5 mil hectares, respectivamente.
Ocupação de áreas de risco cresce acima da urbanização
O levantamento do MapBiomas reúne dados sobre a ocupação urbana nas últimas quatro décadas e indica que a expansão em áreas de risco ocorreu em ritmo mais acelerado do que o crescimento urbano total.
Entre 1985 e 2024, a área urbanizada no Brasil passou de 1,8 milhão para 4,5 milhões de hectares, crescimento médio anual de 70 mil hectares. No mesmo período, as construções em terrenos inclinados, com maior risco de erosão e deslizamento, saltaram de 14 mil para 43,4 mil hectares, mais que triplicando em 40 anos.
A coordenadora do estudo, Mayumi Hirye, afirmou que as mudanças climáticas e os eventos extremos devem ser considerados na expansão das cidades, especialmente em áreas mais sensíveis e vulneráveis. “A expansão das cidades tem que ser pensada no contexto do risco e das mudanças climáticas, que afetam a todos, mas, em especial, incidem de forma mais dramática em áreas mais sensíveis e vulneráveis, cuja ocupação tem acontecido de forma mais acelerada do que o ritmo da urbanização total”, disse a coordenadora.
Proximidade de rios amplia exposição a inundações
Além das encostas, a pesquisa aponta a ocupação próxima a rios e córregos como fator de maior exposição às enxurradas. Em 2024, foram identificados 1,2 milhão de hectares de áreas urbanas no país com maior risco de inundação devido à proximidade com áreas de drenagem natural.
Entre os estados, o Rio de Janeiro liderava em 2024, com 108,2 mil hectares de território urbano nessa condição. A ocupação dessas áreas no estado quase dobrou ao longo de 40 anos.
Em Rondônia, a expansão foi ainda mais intensa. Em 1985, havia 7,3 mil hectares urbanizados próximos à drenagem natural. Em 2024, o total chegou a 18,8 mil hectares.
Segundo o engenheiro ambiental do MapBiomas, Edmilson Rodrigues, as cidades historicamente se estabeleceram próximas a corpos d’água, mas o aumento de eventos extremos reforça a necessidade de monitoramento da expansão urbana em margens fluviais. “Historicamente, as cidades se estabeleceram junto a corpos d’água. Diante do aumento do número de eventos extremos e do conjunto de funções cumpridas por áreas de várzea e planícies alagáveis, é importante monitorar a expansão de áreas urbanizadas em margens fluviais buscando conservar o ambiente e a qualidade de vida da população”, concluiu.
*Com informações de MapBiomas