[Alunos | Foto: Ilustrativa / LensGO]
[Foto: Ilustrativa / LensGO]
O número de escolas públicas sem nenhum acesso a água no Brasil caiu pela metade em doze meses, passando de 2.512 para 1.203 unidades. O balanço, destacado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), revela que cerca de 100 mil estudantes foram beneficiados pelo avanço histórico.
Segundo os dados, das escolas que permanecem sem infraestrutura hídrica, 96% estão na zona rural, em comparação aos centros urbanos, que concentram apenas 4%, evidenciando uma “desigualdade territorial”.
Desigualdades raciais e territoriais
Os indicadores apontam que a falta de infraestrutura hídrica não é apenas uma questão geográfica, mas também racial. As escolas afetadas atendem prioritariamente estudantes negros (63%) e indígenas (13%), especialmente em áreas críticas como a Amazônia e o Semiárido.
“Escolas localizadas em áreas rurais apresentam, historicamente, um déficit em relação à cobertura do acesso a água. Este cenário reflete os desafios para a implementação de políticas públicas nos municípios”, explica Rodrigo Resende, Oficial de Água, Saneamento e Higiene do UNICEF no Brasil. Segundo o especialista, a solução exige investimentos intersetoriais e o uso de tecnologias sociais que considerem as especificidades de cada território.
O impacto específico sobre as meninas
Ainda de acordo com os dados, para as meninas, a falta de higiene compromete a dignidade menstrual, dificultando a permanência na escola durante esse período. Além disso, a necessidade de buscar água fora do ambiente escolar aumenta a exposição de meninas a riscos de violências.
“É hora de colocar as mulheres e as meninas no centro das soluções para o acesso a água”, defende Resende, ressaltando que serviços tornam-se mais eficazes quando há liderança feminina nas decisões sobre o recurso.
Ações estratégicas e marcos legais
Os dados mostram que o avanço registrado no último ano é fruto de uma coalizão entre o poder público e o UNICEF. Entre as conquistas de 2025, destacam-se:
- Energia Solar: Instalação de 40 sistemas de abastecimento movidos a energia solar no Amazonas, beneficiando 20 mil pessoas.
- Territórios Indígenas: Ampliação do acesso a água segura para 12 mil pessoas no território Yanomami e ações nas comunidades Munduruku.
- Educação a Distância: Capacitação de 27 mil profissionais sobre infraestrutura em escolas rurais via PDDE, em parceria com o MEC.
- Vitória Legislativa: Assistência técnica que culminou na sanção da Lei 15.276/2025, garantindo por lei o acesso a água potável em instituições de ensino.
Atualmente, iniciativas como o Selo UNICEF engajam mais de 2.270 municípios na implementação de ações integradas de saneamento e resiliência climática.
*Com informações de UNICEF