Donald Trump (arquivo) | Foto: Andrea Hanks / Official White House
[Foto: Arquivo / Andrea Hanks / Official White House]
O presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump, publicou, neste domngo (12/04), uma série de ataques contra o Papa Leão XIV, provocando, o que se acredita ser, uma crise diplomática imediata entre Washington e a Santa Sé. Em uma postagem de teor político na rede social Truth, Trump classificou o líder da Igreja Católica como “fraco no combate ao crime e péssimo em política externa”, acusando-o de ceder à “esquerda radical” e de ignorar a perseguição a religiosos durante a pandemia.
A ofensiva de Trump questionou, inclusive, a soberania do Conclave que elegeu o atual Pontífice. Segundo o presidente, Leão XIV, que é americano, só teria sido escolhido como uma estratégia da Igreja para lidar com o seu governo. “Se eu não estivesse na Casa Branca, Leo não estaria no Vaticano”, afirmou o mandatário, alegando que o Papa foi uma “surpresa chocante” nas listas de sucessão.

O embate sobre Irã e Venezuela
Trump criticou abertamente o Papa por não se opor ao desenvolvimento nuclear do Irã e por condenar as ações dos EUA na Venezuela. Segundo o presidente, a Venezuela é responsável por enviar “assassinos, traficantes e homicidas” para o território americano.
Trump ainda disparou contra os interlocutores do Vaticano, mencionando nominalmente David Axelrod, a quem chamou de “PERDEDOR da esquerda”. Para o presidente, o comportamento de Leão XIV está “prejudicando a Igreja Católica” e o Pontífice deveria focar em usar o “bom senso” em vez de atuar como político.
A reação da Igreja
A resposta veio em tom de defesa da autoridade espiritual do sucessor de Pedro. O arcebispo Paul Stagg Coakley, presidente da Conferência Episcopal dos EUA, manifestou profundo desconforto. “O Papa Leão não é seu rival, nem o Papa é um político. É o Vigário de Cristo que fala a partir da verdade do Evangelho e pela cura das almas”, declarou em nota.
Na Itália, a Conferência Episcopal Italiana reforçou que o Papa é um “apelo exigente à dignidade da pessoa”, e não uma contraparte política para debates partidários.
Direto da África, Leão XIV responde: “Não sou um político”
O anúncio das críticas de Trump coincidiu com o início da viagem apostólica do Papa à África. A bordo do avião a caminho de Argel, o Pontífice foi questionado por jornalistas sobre os ataques vindos de Washington. Com serenidade, Leão XIV rechaçou o rótulo de agente político.
“Eu não vejo o meu papel como o de um político; não sou um político, eu não quero entrar em um debate com ele”, afirmou o Santo Padre. Ao ser indagado sobre possíveis retaliações americanas, o Papa foi enfático: “Eu não tenho medo do governo de Trump. Continuarei falando com voz forte sobre a mensagem do Evangelho”.
O Pontífice segue agora em peregrinação por Camarões, Angola e Guiné Equatorial, reforçando que sua prioridade é o diálogo e a construção da paz, ignorando as pressões políticas da Casa Branca.
Fatos sobre a polêmica
1. O que Donald Trump disse sobre o Papa?
Chamou-o de “fraco no combate ao crime” e “péssimo em política externa”, alegando que ele cede à esquerda radical.
2. Qual a polêmica sobre a eleição de Leão XIV?
Trump afirma que o Papa só foi eleito por ser americano e para servir de contraponto ao seu governo: “Se eu não estivesse na Casa Branca, Leo não estaria no Vaticano”.
3. Como o Papa Leão XIV reagiu?
O Papa declarou que não é político, não quer entrar em debate e que “não tem medo do governo de Trump”.
4. Qual o motivo das críticas sobre o Irã e a Venezuela?
Trump critica o Papa por não ser duro contra o programa nuclear iraniano e por criticar os ataques americanos à Venezuela.
5. Onde o Papa está?
Em viagem apostólica pela África, visitando Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial.
*Com informações de Vaticano