[Foto: Richard Souza / AN]
“Por trás de cada erro, existe uma história que quase ninguém quis ouvir.” É sob essa premissa que o documentário “É Pra Mudar, Muleke: Uma Vida no Degase” faz sua aguardada estreia no circuito comercial carioca neste sábado (28/03) e domingo (29/03). O longa, que já percorreu festivais em 12 países, chega às telonas não apenas como um produto audiovisual, mas como um documento sobre falhas governamentais, sonhos interrompidos e o complexo desafio da ressocialização no Rio de Janeiro.
Dirigido por Serginho Clemente, com produção de Cadu Tavares, o documentário propõe uma investigação profunda que remonta aos antigos sistemas reformatórios da cidade até o atual modelo do DEGASE (Departamento Geral de Ações Socioeducativas). Através de uma montagem que intercala reportagens e relatos inéditos, a obra confronta as diversas visões que compõem o ecossistema da custódia: de gestores e autoridades judiciárias a colaboradores da linha de frente.
Entretanto, o coração da narrativa reside no depoimento dos jovens que atravessaram a engrenagem do sistema. São vozes que transformam estatísticas em histórias, revelando o necessário para o recomeço.
O título da obra extrai sua força do cotidiano. “É pra mudar, muleke” é uma frase que ecoa nos corredores das unidades de internação, dita por agentes e educadores como um misto de comando e incentivo. Para os realizadores, essa expressão sintetiza a essência do filme: a complexidade da transformação humana dentro de um ambiente de privação de liberdade.
Cinema independente
A chegada do filme a redes como Kinoplex e Cinesystem representa um feito raro para produções sem suporte de verbas públicas ou grandes estúdios. O projeto, erguido por meio de parcerias estratégicas, é definido pelo produtor Cadu Tavares como uma vitória contra o silêncio.
“Isso não é só uma conquista pessoal. Isso é um grito de que o cinema independente vive. Eu caminhei com esse filme debaixo do braço, bati em portas, ouvi ‘não’, enfrentei a incerteza… mas nunca deixei de acreditar. Ver este filme nas telonas hoje é ver cada lágrima e cada sonho ganhando luz”, afirma Tavares.
Repercussão global
Antes de tocar o solo carioca, o documentário consolidou sua relevância em fóruns internacionais. Laureado como Melhor Filme Documentário no Dreamz Catcher International Film Festival e reconhecido no Nawada International Film Festival, ambos na Índia, a produção já circulou por nações como Alemanha, Suécia, França, Estados Unidos, Grécia e Portugal. O sucesso internacional reforça a universalidade do debate proposto por Clemente e Tavares sobre direitos humanos e a urgência de novas narrativas para a juventude.
Programaçãod e estreia – Rio de Janeiro
É Pra Mudar, Muleke
Documentário • Estreia nos Cinemas do Rio
Valores de ingressos podem ser conferidos diretamente no site do Cinesystem e do Kinoplex.
Ficha técnica
- Direção e Roteiro: Serginho Clemente
- Produção Executiva: Cadu Tavares
- Assistência de Direção: Aline Capistrano
- Direção de Arte: Pedro Nunes
- Som Direto: Alexander Barra
- Direção de Fotografia: Serginho Clemente
- Elenco e Colaboradores: Victor Poubel, Luciano Mattos, Adriano Azambuja, Sergio Ribeiro, Roberta Barreto, Gardenia Cavalcanti, entre outros.
*As datas poderão sofrer alterações sem aviso prévio