Aula de RCP | Foto: Imagem ilustrativa
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A American Heart Association (AHA) divulgou as novas Diretrizes de 2025 para Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP) e Atendimento Cardiovascular de Emergência (ACE), atualizando protocolos e conceitos fundamentais para o atendimento em emergências médicas. O documento, resultado de ampla revisão científica, apresenta mudanças que impactam diretamente profissionais de saúde, equipes de emergência e brigadas corporativas.
Entre as principais novidades, destacam-se a criação de uma cadeia de sobrevivência unificada para paradas cardiorrespiratórias intra e extra-hospitalares, a inclusão de políticas públicas de acesso à naloxona (medicamento usado em casos de overdose de opioides) e o reforço da importância da resposta comunitária e do socorro leigo com RCP apenas com as mãos em adultos e RCP convencional em crianças.
No âmbito ético, as novas diretrizes apresentam um capítulo inteiramente dedicado à ética em ressuscitação, inédito nas versões anteriores. Esse trecho aborda temas como justiça distributiva, sofrimento moral dos profissionais, decisões de fim de vida e equidade no atendimento, propondo que os sistemas de saúde enfrentem as desigualdades estruturais nos determinantes sociais da saúde.

Uma das mudanças mais marcantes nas Diretrizes de 2025 diz respeito ao manejo de obstrução de vias aéreas por corpo estranho (engasgos). Agora, a AHA recomenda que adultos e crianças com obstrução grave recebam ciclos alternados de cinco golpes nas costas e cinco compressões abdominais, até que o objeto seja expelido ou a vítima perca a consciência (um ajuste que busca padronizar o atendimento em todas as faixas etárias e se baseia em estudos que mostraram maior taxa de sucesso e menor risco de lesões com o uso dos golpes nas costas). Para bebês, mantém-se a contraindicação das compressões abdominais, sendo orientada a combinação de cinco golpes nas costas e cinco compressões torácicas, reforçando a segurança e a eficácia do procedimento nessa faixa etária.
Outras mudanças incluem recomendações para reuniões rápidas de segurança hospitalar, voltadas à prevenção de paradas cardiorrespiratórias em pacientes de alto risco, além de orientações para debriefings imediatos e tardios após eventos de RCP, prática que busca aprimorar o desempenho das equipes e reduzir impactos psicológicos.
Em relação à prática clínica, há também ajustes importantes no suporte básico e avançado de vida, como novas orientações sobre ventilação, uso de máscaras laríngeas em recém-nascidos, critérios para o uso de RCP mecânica em situações específicas, e padronização dos golpes nas costas combinados com compressões abdominais no manejo de obstruções de vias aéreas em adultos.
Para compreender melhor o impacto dessas atualizações, a reportagem ouviu um especialista em Saúde e Segurança do Trabalho, instrutor de emergência com experiência em atendimento pré-hospitalar. Segundo Souza, “as diretrizes da AHA orientam práticas que salvam vidas e precisam ser compreendidas não apenas por profissionais de saúde, mas também por brigadistas e socorristas corporativos, entre outros públicos”. Ele explica que “a ênfase na resposta leiga e na padronização dos protocolos facilita o treinamento em empresas e instituições públicas, tornando o primeiro atendimento mais eficiente”.