
[Foto: Richard Souza / GE]
Um estudo internacional publicado nesta terça-feira (27/08) na revista científica Nature Climate Change revelou que o desmatamento em regiões tropicais do mundo está diretamente ligado ao aumento da temperatura local e a impactos graves à saúde humana, resultando em aproximadamente 28 mil mortes anuais evitáveis. A pesquisa analisou todas as áreas tropicais, incluindo as Américas, África e Sudeste Asiático.
Liderada pelo Instituto de Ciência do Clima e Atmosfera da Universidade de Leeds (Reino Unido), em colaboração com a Fundação oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Universidade Kwame Nkrumah de Ciência e Tecnologia (Gana), a investigação aponta que entre 2001 e 2020, 345 milhões de pessoas foram expostas ao aquecimento causado pelo desmatamento, com aumento médio de 0,27 °C na temperatura da superfície terrestre durante o dia.
O impacto foi mais intenso no Sudeste Asiático, onde as mortes atribuídas ao calor induzido pelo desmatamento chegam a 15,7 mil por ano. A África tropical contabiliza cerca de 9,9 mil mortes anuais, e as Américas Central e do Sul, 2,5 mil mortes por ano. A vulnerabilidade da população, especialmente em países de baixa renda, agrava os efeitos do calor, que incluem doenças cardiovasculares e redução da produtividade laboral.
O estudo destaca que as áreas desmatadas aqueceram até três vezes mais que as preservadas, com regiões como o Arco do Desmatamento na Amazônia, Sumatra e Bornéu, além de países da África Ocidental e Sudeste Asiático, sendo as mais afetadas. Entre 2003 e 2018, 2,8 milhões de trabalhadores tropicais foram expostos a calor extremo acima dos limites seguros para atividades ao ar livre.
Segundo a pesquisadora da Fiocruz Piauí, Beatriz Oliveira, coautora do estudo, “a redução do desmatamento também é uma questão de saúde pública, pois evitamos mortes por calor e garantimos condições climáticas mais favoráveis para populações em situação de vulnerabilidade que dependem diretamente desses ecossistemas”.
O estudo reforça a relação direta entre perda florestal, aumento de temperatura e mortalidade, destacando a importância das florestas tropicais não apenas para a regulação climática, mas também para a preservação da saúde e da vida humana.
*Com informações de Fiocruz