[Foto: Richard Souza/AN]
O bolso do trabalhador fluminense sofreu um duro golpe em março de 2026. De acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) e pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o custo dos alimentos essenciais na cidade do Rio de Janeiro saltou para R$ 867,97, consolidando a capital como a segunda mais cara do país, atrás apenas de São Paulo.
O avanço mensal de 4,96% no Rio superou a média de diversas outras capitais e elevou o acumulado do ano para 9,58%. O impacto no orçamento é evidente: para adquirir os itens básicos, o trabalhador carioca que recebe o salário mínimo de R$ 1.621,00 precisou dedicar 117 horas e 48 minutos de sua jornada mensal apenas para a alimentação, um aumento considerável frente às 112 horas registradas em fevereiro.
Os vilões do prato no Rio
O levantamento aponta que nove dos 13 produtos da cesta básica tiveram alta no Rio de Janeiro. O tomate foi o grande vilão, com uma disparada de 30,59% no mês. No acumulado entre dezembro de 2025 e março de 2026, o preço do tomate no Rio apresenta uma alta astronômica de 123,06%.
Outros itens que pressionaram o orçamento foram a batata (17,91%), o feijão preto (4,42%) e o leite integral (4,18%). Segundo a análise técnica, as “chuvas atrapalharam a colheita e reduziram a oferta” da batata e do tomate, enquanto o feijão sofreu com a “restrição de oferta, por dificuldades na colheita”.
Por outro lado, o café em pó (-3,16%), o arroz agulhinha (-2,63%) e o açúcar refinado (-0,74%) deram um leve respiro ao consumidor, registrando queda de preços no último mês.
Descompasso com o salário mínimo
Segundo o levantamento, o custo de vida alimentar no Rio de Janeiro exige que o trabalhador comprometa, após os descontos previdenciários, 57,89% de sua renda líquida apenas com a cesta básica.
A nível nacional, o cenário é igualmente desafiador. O DIEESE calcula que o salário mínimo necessário para manter uma família de quatro pessoas em março de 2026 deveria ter sido de R$ 7.425,99,montante que representa 4,58 vezes o piso nacional vigente.
*Com informações de Conab