A investigação sobre o desaparecimento da psicóloga brasileira Vitória Figueiredo Barreto, de 30 anos, atingiu um estágio decisivo nesta sexta-feira, 20 de março de 2026. Após duas semanas de mobilização intensiva, a Polícia de Essex informou que as buscas físicas em larga escala por terra, litoral e água em Brightlingsea estão sendo finalizadas. Contudo, as autoridades enfatizam que o trabalho entra agora em uma frente de inteligência tecnológica e cooperação diplomática.
Vitória foi vista pela última vez na região de Brightlingsea. Ela havia estado na Universidade de Essex, em Wivenhoe, no dia 3 de março, onde encontrou-se com uma amiga. O rastreamento policial confirma que ela pegou o ônibus 87 por volta das 13h, desembarcando na Bellfield Avenue, em Brightlingsea, às 13h30.
A superintendente detetive Anna Granger, responsável pelo caso, foi enfática ao declarar que a interrupção das buscas físicas não significa o fim do trabalho: “Continuamos determinados a fornecer aos entes queridos de Vitória as respostas de que precisam. (…) Não deixaremos pedra sobre pedra na tentativa de construir um quadro completo dos dias e horas que antecederam e sucederam o desaparecimento”.
O enigma dos 20 minutos e o barco à deriva
O foco central dos investigadores permanece no porto de Brightlingsea. Câmeras de segurança (CCTV) registraram Vitória às 00h16 do dia 4 de março escalando uma cerca metálica próxima a um estaleiro. Este é o último registro visual nítido da brasileira.
O mistério se aprofunda no intervalo entre 00h16 e 00h36. Nesse período de apenas 20 minutos, um barco foi desatracado de um pontão. Imagens analisadas recentemente mostram que a embarcação, com o motor desligado, derivou pelo porto durante a madrugada até parar em Bradwell-on-Sea. Embora uma pessoa tenha sido vista pulando a cerca, a polícia afirma que “ainda não existem imagens nítidas e visíveis que permitam afirmar com certeza que foi o brasileiro de 30 anos quem desamarrou o barco”.
Rastreio financeiro e apoio da embaixada
Com o fim das buscas em áreas como o rio Blackwater e a ilha de Mersea, a detetive Granger revelou que a complexidade agora reside nos dados da vítima. Por ser cidadã brasileira, o acesso a registros financeiros e de comunicação exige um trâmite internacional. “Ambas as investigações têm se mostrado complexas devido à sua nacionalidade brasileira e exigem contato internacional, no qual continuamos trabalhando com o apoio dos familiares de Vitória e da Embaixada do Brasil”, explicou a superintendente.
O rastro de Vitória: Bolsa e laptop
Até o momento, as equipes de busca recuperaram itens que ajudam a traçar a rota da psicóloga:
- Bolsa Branca: Com a inscrição “pessoas acima do lucro”, encontrada em 9 de março na Copperas Road.
- Laptop: Localizado no sábado, 14 de março.
- Item Faltante: Um colete salva-vidas laranja, em formato de ferradura, sumiu da embarcação levada e permanece desaparecido.
“Não desistam”: O apelo da família
No último domingo (15), data em que se celebrou o Dia das Mães no Reino Unido, a Unidade Marítima acompanhou a mãe de Vitória, Gleyz Barreto, no trajeto percorrido pelo barco. Em um apelo público, Gleyz enviou uma mensagem direta à filha: “Sei que Vitória nos diria: ‘não desistam, por favor, continuem’, e é isso que estamos fazendo (…) Você não fez nada de errado e é amada”.
Histórico das buscas
As buscas ocorreram em áreas que incluiram:
- o rio Blackwater
- a península de Dengie
- o litoral do rio Crouch
- cerca de 2,5 quilômetros da costa sul da ilha de Mersea
Os trabalhos envolveram apoio aéreo, unidade marítima e equipes especializadas de busca.
Veja no mapa onde ocorreram os últimos registros e as buscas por Vitória Barreto
Região do desaparecimento e áreas investigadas pela polícia no condado de Essex, Inglaterra
O mapa mostra os locais citados nas investigações e nas operações de busca realizadas pela polícia de Essex.
Linha do tempo: O desaparecimento de Vitória Figueiredo Barreto
Reconstrução detalhada dos passos da brasileira de 30 anos desaparecida no condado de Essex, Reino Unido, e o avanço das investigações policiais.
Vitória encontra-se com uma amiga na universidade. Pouco depois das 13h, embarca no ônibus 87 na Boundary Road, em Wivenhoe.
Último Avistamento: Vitória desembarca na Bellfield Avenue, em Brightlingsea, e é vista em câmeras de Hurst Green às 14h30.
Câmeras registram Vitória no porto de Brightlingsea. Ela escala uma cerca metálica perto de um estaleiro. É o último registro visual confirmado.
O Desaparecimento: Entre 00h16 e 00h36, um barco é desatracado de um pontão. Sem motor, a embarcação deriva até Bradwell-on-Sea.
Uma bolsa branca com a frase “pessoas acima do lucro” é localizada por um cidadão perto da Copperas Road, em Brightlingsea.
Buscas são ampliadas para o rio Blackwater, ilha de Mersea e península de Dengie. Notada a falta de um colete laranja no barco periciado.
Um laptop que a polícia acredita pertencer a Vitória é localizado em Brightlingsea. A família continua recebendo apoio especializado.
Unidade Marítima leva familiares para refazer o trajeto do barco. Mãe de Vitória, Gleyz Barreto, faz apelo público para que não desistam.
Polícia analisa novas imagens do porto e solicita que trabalhadores marítimos (atuantes entre 0h e 6h do dia 4) se apresentem.
Portal de Denúncias: Governo e Polícia Britânica lançam portal específico para centralizar denúncias e agilizar a análise de informações enviadas pelo público.
Investigação Técnica: Polícia de Essex anuncia o encerramento das buscas físicas terrestres e marítimas. O foco agora é o rastreamento de dados financeiros, de comunicação e cooperação com a Embaixada do Brasil.
Quem é Vitória Barreto
Natural do Ceará, Vitória Barreto atua na área de saúde mental comunitária. Ela é psicóloga integrativa formada pela Universidade de Fortaleza (Unifor) e possui pós-graduação em Terapia Familiar Sistêmica e Constelação pelo Instituto Militão. Atualmente, também cursa pós-graduação em Fenomenologia, Clínica e Saúde Mental pela APFENO-PR.
A profissional é instrutora certificada em Terapia Comunitária Integrativa (TCI) e em Técnicas de Resgate da Autoestima (TRA), formação realizada no Movimento Integrado de Saúde Mental Comunitária (MISMEC) 4 Varas. Nesse campo, conduz rodas terapêuticas, capacitações e formações voltadas à saúde mental comunitária.
Vitória também atua como terapeuta sistêmica integrativa, atendendo grupos e indivíduos. O trabalho envolve práticas que integram aspectos culturais, corporais e mentais.
Além da atuação clínica, a psicóloga participa da formação de profissionais em cursos de TCI e TRA e integra o Conselho Científico da Associação Brasileira de Terapia Comunitária Integrativa (ABRATECOM) no período de 2023 a 2025.