[Foto: Ilustrativa/ Google AI]
A disseminação de protocolos alimentares restritivos e o uso de substâncias isoladas com promessas de perda de peso têm pautado debates sobre nutrição nas redes sociais. Diante da popularização dessas práticas, profissionais da área alertam para a necessidade de observar os critérios clínicos antes de excluir grupos inteiros da rotina alimentar, sob risco de prejuízos ao metabolismo.
Uma das discussões centrais envolve o consumo de leite. De acordo com a nutricionista Karine Lima, a classificação do alimento como prejudicial depende de diagnósticos específicos.
O consumo de leite e o potencial inflamatório
A especialista explica que a resposta do organismo ao produto não é uniforme para toda a população. “O leite só tem potencial inflamatório para pessoas que possuem diagnóstico de intolerância à lactose ou alergia à proteína do leite de vaca, que envolve o sistema imunológico e pode trazer reações respiratórias, dermatites”, afirma.
Para indivíduos que não apresentam tais condições, Karine aponta que o leite é uma fonte de cálcio e proteínas. Ela ressalta que a retirada do item sem a devida substituição ou orientação profissional pode, conforme sua análise, “abrir portas para deficiências nutricionais graves no futuro”.
Efeitos da retirada drástica de carboidratos
O papel dos carboidratos no emagrecimento é outro ponto de divergência comum. Segundo a nutricionista, a estratégia de “zerar” esse grupo alimentar, que é a fonte primária de energia para o cérebro e os músculos, pode gerar resultados equívocos no curto prazo.
“O carboidrato não pode ser retirado de forma drástica, causa uma falsa ilusão de emagrecimento, pois o corpo perde água e massa muscular rapidamente”, descreve a profissional. Entre os efeitos colaterais observados em pacientes que adotam essa restrição extrema, a nutricionista cita irritabilidade, lentidão mental e um aumento na probabilidade de episódios de compulsão alimentar.
Frequência alimentar e níveis de cortisol
A técnica de prolongar o tempo sem ingestão de alimentos com o objetivo de perder peso também foi analisada por Karine Lima. Segundo ela, a prática pode elevar os níveis de cortisol, conhecido como o hormônio do estresse. “Onde a pessoa tem facilidade para acumular gordura na região abdominal e também aumenta a compulsão alimentar à noite”, detalha.
A orientação apresentada pela nutricionista para manter a saciedade e evitar o consumo excessivo fora de horário é a realização de quatro refeições diárias que incluam fontes de proteína.
Ação fisiológica de alimentos isolados
Sobre o uso de misturas populares, como a água com limão em jejum, a especialista diferencia a função nutricional da capacidade de emagrecimento. Embora contribua para a hidratação e forneça vitamina C, a nutricionista afirma que a bebida não possui propriedades químicas para eliminar gordura. “Nenhum alimento isolado, chá ou mistura tem a capacidade fisiológica de ‘derreter’ a gordura corporal. O emagrecimento real vem do conjunto de uma alimentação equilibrada e gasto calórico”, conclui.