[Foto: Ilustrativa / LensGO]
Sintomas como tosse, febre, coriza e dores no corpo são frequentemente associados à gripe. No entanto, o quadro também pode provocar impactos na saúde bucal, afetando dentes, gengivas e a mucosa oral durante o período da doença. É o que explica o cirurgião-dentista Dr. Fabio Azevedo, especialista LATAM do Departamento de Pesquisa & Desenvolvimento da S.I.N.
Segundo o especialista, o funcionamento do sistema respiratório tem relação direta com o equilíbrio da cavidade oral, o que pode favorecer alterações na boca durante quadros gripais.
“Durante um quadro gripal, a boca pode ficar mais seca, em função da congestão nasal, aumentando a respiração pela boca, reduzindo então a oferta de saliva, que é crucial para neutralizar ácidos, e favorecendo também o acúmulo de bactérias, levando à alteração do equilíbrio da microbiota oral. Isso aumenta o risco de inflamações gengivais e até mesmo do surgimento de cáries, podendo gerar também mau hálito”, explica o especialista.
Respiração pela boca pode reduzir saliva
Azevedo destaca ainda, que a congestão nasal, sintoma comum da gripe, pode levar muitas pessoas a respirarem pela boca. Essa mudança pode reduzir a produção de saliva, substância considerada essencial para proteger os dentes e contribuir para o equilíbrio da microbiota oral.
A saliva atua na neutralização de ácidos e ajuda a controlar a presença de bactérias na cavidade oral. Quando sua produção diminui, o ambiente bucal pode se tornar mais propício ao surgimento de problemas como inflamações gengivais e cáries.
Medicamentos podem intensificar boca seca
Além dos efeitos da própria doença, alguns medicamentos utilizados para aliviar sintomas da gripe também podem influenciar na saúde bucal. Antialérgicos e descongestionantes podem reduzir a produção de saliva e aumentar a sensação de boca seca, conhecida como xerostomia.
“A saliva é um dos principais mecanismos de defesa natural da boca”, acrescenta o Dr. Azevedo.
O especialista explica ainda que o enfraquecimento do sistema imunológico durante a gripe pode favorecer o surgimento de infecções oportunistas na cavidade oral. Entre elas estão as aftas e a candidíase, infecção causada pela proliferação do fungo Candida albicans.
Açúcar em medicamentos pode contribuir para cáries
Sobre os xaropes e pastilhas para alivio de tosse e sintomas da gripe, o especialista destaca que alguns podem conter níveis elevados de açúcar. Quando utilizados por períodos prolongados e sem a manutenção adequada da higiene bucal, esses produtos podem “contribuir para o desenvolvimento de cáries, mediante o uso prolongado.”
Além disso, o aumento da temperatura corporal favorece a perda de líquidos, o que pode intensificar o ressecamento da mucosa oral e favorecer o surgimento de aftas, inflamações gengivais e mau hálito.
Dr. Azevedo lembra ainda, que em alguns casos, episódios de vômito podem ocorrer durante a doença. Nessas situações, os dentes podem entrar em contato com o ácido presente no estômago, o que pode provocar desgaste no esmalte dentário e aumentar o risco de sensibilidade e cáries.
Hidratação e higiene ajudam a proteger a boca
Mesmo durante o período de gripe, algumas medidas podem ajudar a preservar a saúde bucal. Para o cirurgião-dentista, manter a hidratação é uma das recomendações. O consumo de água, chás mornos sem açúcar e sucos naturais pode ajudar a reduzir o ressecamento da boca e repor líquidos perdidos durante a doença.
“O aumento da ingestão de líquidos durante o período gripal é altamente recomendado para proteger o organismo e manter o equilíbrio da cavidade bucal”, afirma o dentista.
Outra orientação é manter a rotina de higiene oral, mesmo diante do mal-estar provocado pelos sintomas. “Ao menos três vezes ao dia escove os dentes e utilize o fio dental”, orienta o especialista.
Também é recomendado reduzir o consumo de açúcar sempre que possível. No caso de medicamentos como xaropes ou pastilhas, versões sem açúcar podem ser uma alternativa.
Após a recuperação, a troca da escova dental também é indicada. “O vírus da gripe pode permanecer nas cerdas e facilitar uma reinfecção ou a contaminação de outras pessoas que compartilham o mesmo ambiente”, explica o Dr. Azevedo.