[Foto: Ilustrativa/ Google AI]
Enquanto o Brasil registrou, em 2025, a marca 344 mil internações por doenças relacionadas ao saneamento ambiental inadequado, especialistas revelam que microrganismos, como os da hepatite e da cólera, prosperam em águas perfeitamente transparentes, que podemos consumir no dia a dia O perigo, que já causa 1,4 milhão de mortes anuais no mundo, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), desafia o olho nu e pode transformar caixas d’água e poços mal monitorados em bombas-relógio para a saúde pública.
O papel da microbiologia
A especialista Ana Paula Bohm, CEO da AquaVita, lembra que a segurança do que consumimos pode depender de análises que a visão humana não alcança. “Às vezes, a gente olha para uma água límpida, bonita, aparentemente cristalina. Mas a microbiologia não se revela pela aparência, a água pode estar contaminada mesmo quando parece própria para consumo”, alerta a especialista.
Durante live no canal Micromeio, Bohm explicou que bactérias, vírus e fungos podem estar presentes mesmo em águas tratadas se houver falhas na armazenagem ou falta de cloro. Indicadores como coliformes totais e Escherichia coli são os medidores laboratoriais que denunciam se a água que chega à torneira está, de fato, segura.
“Os coliformes totais são comuns. Às vezes, de fato, coletamos amostras de água tratada com presença de coliformes totais. Muitas vezes, essa água não possui cloro suficiente para eliminá-los”, disse Ana Paula.
O debate, que ecoou no Conselho de Direitos Humanos da ONU, mostra que em 2025, 2 bilhões de pessoas no globo viviam sem água potável. No Brasil, o Instituto Trata Brasil aponta que o saneamento inadequado sobrecarrega o sistema de saúde. Em 2024, as doenças de transmissão feco-oral e as infecções por vetores (como a dengue, impulsionada pelo lixo acumulado) resultaram em mais de 344 mil internações.
Cerca de 20% dos internados no país possuem até 4 anos de idade. Entre os idosos, a letalidade é ainda maior, representando 76% dos óbitos associados a essas enfermidades. “Muitas das doenças vêm da água imprópria”, reforça a especialista da AquaVita, destacando que a ingestão sem controle pode transmitir hepatite A e causar graves infecções gastrointestinais.
Como a ciência identifica
A microbiologia atua através de “meios de cultura”, substâncias que favorecem o crescimento de microrganismos em ambiente controlado para identificação. O processo exige rigor absoluto: “Tudo que a gente faz é estéril. Se respirar em cima pode causar algum tipo de contaminação”, explica Ana Paula.
No dia a dia, a recomendação é clara: limpeza de reservatórios e, em caso de dúvida extrema, optar por água mineral com gás, “já que o CO₂ ajuda a impedir a proliferação de bactérias, reduzindo o risco de contaminação”, completou a especialista.
Exigência legal e o dever dos condomínios
A legislação brasileira, através da Portaria nº 888/2021 define que todos os locais que distribuem água, incluindo condomínios, escolas e indústrias, devem comprovar a potabilidade. “Mesmo utilizando água de concessionária, um condomínio precisa fazer uma análise e comprovar que a água está própria para consumo. Ali para dentro pode ocasionar a contaminação microbiológica”, conclui Bohm.