
[Foto: Arquivo / Roque de Sá / Agência Senado]
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (28/08) que o Brasil presenciou “a maior resposta do Estado ao crime organizado”, com a deflagração simultânea das operações Quasar, Tank e Carbono Oculto, envolvendo dez estados e setores financeiro e de combustíveis.
Segundo Lula, as ações visam cortar o fluxo de dinheiro ilícito, recuperar recursos para os cofres públicos e garantir um mercado de combustíveis justo e transparente. Ele ressaltou que a coordenação entre Polícia Federal, Receita Federal e Ministérios Públicos estaduais permitiu atingir o núcleo financeiro que sustenta as organizações criminosas.
“Nosso compromisso é proteger cidadãos e consumidores: cortar o fluxo de dinheiro ilícito, recuperar recursos para os cofres públicos e garantir um mercado de combustíveis justo e transparente, com qualidade e concorrência leal”, disse o presidente.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou que as operações fiscalizaram fundos que movimentaram cerca de R$ 52 bilhões em quatro anos, bloqueando bens de criminosos e dificultando a reorganização de grupos ilícitos. Haddad anunciou ainda mudanças para enquadrar fintechs como instituições financeiras, sujeitando-as às mesmas regras de fiscalização que os grandes bancos, em resposta ao uso dessas plataformas para lavagem de dinheiro.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e a subsecretária de Fiscalização da Receita Federal, Andrea Costa Chaves, reforçaram que a integração entre órgãos foi fundamental para o sucesso das operações, que representam marco histórico no combate ao crime organizado.
Operações detalhadas
- Quasar: voltada ao combate à lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta em fundos de investimento, com indícios de ligação com facções criminosas. Estão sendo cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Campinas e Ribeirão Preto, além do bloqueio de bens e fundos de investimento, totalizando cerca de R$ 1,2 bilhão.
- Tank: investiga rede de lavagem de dinheiro e fraudes em combustíveis no Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. O grupo movimentou mais de R$ 23 bilhões, utilizando depósitos fracionados, laranjas, transações cruzadas e adulteração de combustíveis. Foram cumpridos 14 mandados de prisão e 42 de busca e apreensão, com bloqueio patrimonial superior a R$ 1 bilhão.
- Carbono Oculto: apura fraudes fiscais e lavagem de dinheiro em mais de mil postos de combustíveis em dez estados. O esquema movimentou R$ 52 bilhões, com importações de combustíveis superiores a R$ 10 bilhões, e utilizou 40 fundos de investimento para ocultar patrimônio estimado em R$ 30 bilhões, incluindo terminais portuários, usinas de álcool, caminhões e imóveis de luxo. A operação contou com participação de diversos órgãos federais e estaduais.
As ações são resultado direto do Núcleo de Combate ao Crime Organizado, criado em janeiro de 2025 para integrar esforços entre órgãos do Governo Federal e Ministérios Públicos no enfrentamento à criminalidade organizada.