Copas de árvores | Foto: Richard Souza / GE
[Foto: Richard Souza / GE]
- Marca histórica: O Brasil registrou em 2025 a menor área desmatada dos últimos seis anos, ficando abaixo de 1 milhão de hectares pela primeira vez desde 2019.
- Biomas em recuperação: O Pantanal foi o grande destaque com uma redução de 48,4% na devastação. Na Amazônia, a queda chegou a 50% em comparação a 2022.
- Cerco financeiro e fiscalização: O recuo é resultado de maior fiscalização por órgãos federais e do bloqueio de crédito rural para produtores com áreas embargadas ou envolvidos em desmatamento ilegal.
O ano de 2025 consolidou um cenário animador para o meio ambiente brasileiro. Segundo o recém-lançado Relatório Anual do Desmatamento no Brasil, produzido pela iniciativa da sociedade civil MapBiomas, o país atingiu a menor área desmatada em seis anos. Pela primeira vez desde 2019, o índice de perda de vegetação nativa ficou abaixo da marca de 1 milhão de hectares em um único ano.
Ao todo, o país perdeu 984,7 mil hectares de área verde em 2025, o que representa uma retração significativa de 20,6% em relação a 2024, refletindo uma queda conjunta em todos os biomas do território nacional.
O grande destaque proporcional do relatório foi o Pantanal. O bioma registrou uma expressiva queda de 48,4% na área desmatada na comparação com o ano anterior, limitando a perda a 12.260 hectares ao longo de 2025.
Raio-X do Desmatamento no Brasil (2025)
Principais indicadores do Relatório Anual do MapBiomas
Ações de governo e alinhamento de dados
Os números apurados pelo MapBiomas não aparecem isolados. Eles convergem diretamente com as estatísticas oficiais geradas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que já indicavam um declínio consistente na supressão de vegetação. De acordo com o INPE, a Amazônia apresentou uma redução de 50% no desmatamento em 2025 quando comparado a 2022. No mesmo intervalo, o Cerrado registrou um declínio de 32%.
Durante o lançamento dos dados nesta quarta-feira (27/05), o governo federal atribuiu os resultados à execução de um amplo conjunto de políticas públicas. A secretária-executiva do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Anna Flavia Senna, celebrou o avanço e reforçou as metas federais:
“O Brasil tem hoje uma convicção muito forte de cumprir o compromisso feito pelo presidente Lula de desmatamento zero até 2030. Não é um desafio simples, é extremamente complexo. Mas, temos obtido um resultado muito efetivo”, destacou a secretária.
O presidente substituto do Ibama, Jair Schmitt, pontuou que o recuo constante visto nos últimos três anos é um esforço conjunto. “Em grande medida isso é fruto de várias políticas públicas, de atuação dos órgãos federais, lideradas pelo MMA, com participação de pelo menos 11 ministérios e agências federais”, afirmou Schmitt.
Como o Brasil freou a devastação?
A redução na perda de áreas naturais está atrelada à implementação inédita dos Planos de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas (PPCDs) para todos os biomas brasileiros. Esses planos estabelecem estratégias específicas de preservação ambiental com horizonte até 2027.
Em paralelo, houve uma forte intensificação das operações de fiscalização ambiental conduzidas pelo Ibama e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O Ibama tem atuado no cruzamento de dados para mapear com precisão as áreas onde a supressão de vegetação foi legalmente autorizada para o cultivo agropecuário, isolando os infratores.
Crédito rural como ferramenta de preservação
Uma das medidas mais incisivas no combate à derrubada de florestas foi a mudança nas normas de acesso ao crédito rural, transformando o financiamento agrícola em um estímulo direto a práticas sustentáveis.
As novas diretrizes proíbem o repasse de verbas para atividades que envolvam a supressão de vegetação nativa e vetam o acesso ao crédito para produtores que possuam áreas embargadas. O cerco deve se fechar ainda mais: a partir de 2027, produtores rurais que detenham mais de quatro módulos fiscais e que tenham desmatado precisarão comprovar documentalmente a legalidade dessa supressão caso queiram acessar o crédito rural.
Entenda o Caso: Relatório MapBiomas 2025
*Com informações de MMA