Livros | Foto: Richard Souza / GE
[Foto: Richard Souza / GE]
- Democratização da Leitura: Cerca de 3 mil jovens de escolas públicas receberão vales de R$ 250 para comprar obras na feira.
- Foco no Combate às Desigualdades: Desenvolvida ao lado do Ministério da Igualdade Racial, a programação aborda o papel da ciência contra o racismo estrutural.
- Cultura Viva: O evento aberto ao público contará com debates, feira de livros, música e teatro entre os dias 10 e 12 de junho.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) se prepara para transformar seu tradicional campus em Manguinhos, no Rio de Janeiro, em um grande palco de incentivo à leitura e inclusão social. Nos dias 10, 11 e 12 de junho, a instituição realiza a 1ª Festa Literária Internacional da Fiocruz, a Flifio. Totalmente gratuito, o projeto nasce de uma parceria com o Ministério da Igualdade Racial e tem um objetivo claro: usar a literatura e a promoção da saúde como armas no combate ao racismo e às iniquidades que afetam as periferias.
Para garantir que o acesso à cultura seja real e prático, a organização estruturou uma iniciativa de impacto direto. Cerca de 3 mil alunos matriculados em escolas públicas do Complexo do Alemão, Manguinhos, Jacaré e Maré, áreas com as quais a Fiocruz já possui forte vínculo comunitário, receberão previamente um vale-livro de R$ 250. Com o benefício em mãos, esses jovens poderão escolher e adquirir seus próprios exemplares durante a feira. A ação não termina no evento, pois inclui uma pesquisa-ação posterior para estimular o hábito da leitura no ambiente escolar, trabalhando lado a lado com os professores dessas comunidades.
A presença de atividades culturais dentro do ambiente científico não é uma novidade para a Fundação, mas a Flifio representa um marco importante em seu calendário. O presidente da Fiocruz, Mario Moreira, destaca essa trajetória: “A Fiocruz promove regularmente, ao longo de todos os anos, atividades artísticas e culturais como peças de teatro, projeção de filmes, lançamento de livros e exposições variadas, entre outras apresentações e iniciativas. Cultura, saúde e ciência andam de mãos dadas no campus. A Flifio é mais um evento cultural que sediamos e esperamos que se torne anual, contribuindo para disseminar os livros nas comunidades do nosso entorno”.
A programação dos três dias foi desenhada para valorizar o conhecimento popular e incentivar o pensamento crítico. Quem visitar o campus encontrará rodas de leitura, mesas literárias com debates aprofundados e diversas atrações de música e teatro. Toda a curadoria gira em torno de uma constatação: o racismo é um fator que estrutura a falta de acesso a direitos básicos como saúde e educação. Ao trazer jovens de territórios historicamente marginalizados para o centro do debate, o evento busca promover a cidadania ativa e o protagonismo periférico.
Essa visão integrada é reforçada por Felipe Eugênio, coordenador da área de Cultura na Cooperação Social da Presidência da instituição. “A Flifio é mais do que um evento cultural. É uma plataforma de intervenção social que conecta ciência, cultura e participação cidadã, atuando frente aos desafios do acesso desigual à leitura e aos bens culturais. Entendemos que isso impacta diretamente a saúde e a qualidade de vida das populações, especialmente nos territórios periféricos. Com a Flifio, buscamos caminhos em que literatura, ciência e educação atuem juntas no combate ao racismo e na ampliação de direitos, valorizando o protagonismo desses territórios e suas potencialidades”, detalha.
A realização da festa em junho é, na verdade, o ponto alto de uma jornada que começou no final de 2025. A chamada “agenda Flifio” teve início com o seminário Cidades Literárias e viajou por diferentes regiões, promovendo a Semana Literária do Fórum de Itaboraí, em Petrópolis, e sediando etapas da Periferia Brasileira de Letras em Minas Gerais e no Distrito Federal. Esse percurso consolida a intenção de transformar a feira em um programa permanente de pesquisa e impacto social.
A viabilização do projeto é fruto de uma rede de parcerias. A realização é da própria Fiocruz, por meio da Cooperação Social da Presidência, e conta com a gestão da Sociedade de Promoção Sociocultural da Fiocruz (SOCULTFio). Além da aliança com o Ministério da Igualdade Racial, a 1ª Flifio é patrocinada pela Prefeitura do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura, IBMR, Nova Rio e SBM Offshore, através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura (Lei do ISS).
*As datas poderão sofrer alterações sem aviso prévio