[Foto: Richard Souza / AN
- Alívio na feira: O preço da maçã caiu 8,06% e o da alface recuou 5,94% no atacado em abril, impulsionados pelo avanço da colheita e clima favorável, com destaque para a forte queda da hortaliça no Rio de Janeiro (-19,11%) e São Paulo (-18,32%).
- Vilões do mês: A cenoura e a melancia registraram as maiores altas do levantamento, disparando 48,58% e 24,36%, respectivamente, impactadas pela diminuição da oferta nas principais regiões produtoras.
- Exportações em alta: O Brasil enviou 456 mil toneladas de produtos ao exterior em abril, gerando um crescimento de 12% no faturamento do primeiro quadrimestre em comparação a 2025, com forte protagonismo das frutas.
Os consumidores que frequentam as principais Centrais de Abastecimento (Ceasas) do Brasil encontram um cenário de preços misto, marcado pela redução nos valores de produtos populares e pela alta expressiva de outros itens básicos da mesa. De acordo com o 5º Boletim do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort), divulgado nesta sexta-feira (22) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a maçã e a alface lideram as quedas no atacado, enquanto raízes e tubérculos pressionam o bolso.
Na média ponderada de abril, a maçã ficou 8,06% mais barata, impulsionada pelo avanço na colheita da variedade fuji. O impacto foi sentido com força em Goiás, onde a fruta chegou a registrar redução de 35%. A laranja também manteve a tendência de queda suave dos meses anteriores (-0,98%), com os menores valores em Pernambuco (-6,79%) e no Paraná (-5,73%). O estado do Rio de Janeiro foi a exceção, apresentando o maior incremento no preço da laranja (6,07%), mas sem afetar a estabilidade nacional.
Por outro lado, o mamão papaya e a banana registraram leves acréscimos (0,56% e 1,97%, respectivamente). No caso da banana prata, a oferta cresceu em Minas Gerais, principal fornecedor nacional, graças ao aquecimento da demanda e ao melhor escoamento do produto. Entre as frutas, a melancia foi a recordista de aumento: saltou 24,36% na média, puxada pela menor oferta geral, com picos alarmantes nas Ceasas de Recife (45%) e Goiânia (44%).
Desempenho das Frutas (Média de Abril)
O peso das hortaliças: Alface cai, mas cenoura dispara
O setor de hortaliças apresentou um movimento de alta generalizada, com uma única e importante exceção: a alface. O vegetal interrompeu uma sequência de altas iniciada em novembro do ano passado e fechou abril 5,94% mais barato. O clima com temperaturas mais amenas favoreceu a qualidade e a produtividade da folha, resultando em quedas significativas nos dois maiores mercados consumidores do país: Rio de Janeiro (-19,11%) e São Paulo (-18,32%).
Em contrapartida, as demais hortaliças sofreram com a menor disponibilidade de oferta. A cenoura manteve a alta mais expressiva do boletim, subindo 48,58%, com picos que beiram os 60% em Belo Horizonte e Vitória. A forte pressão da demanda sobre Minas Gerais explica esse salto.
O tomate e a batata, figuras carimbadas no prato do brasileiro, também não deram trégua, subindo 12,55% e 12,53%. O tomate, que vem se valorizando desde dezembro, sofre a interferência da transição da safra de verão para a de inverno. Já a batata, aquecida desde fevereiro, reflete a redução da oferta proveniente do Paraná, com os maiores impactos sentidos em Curitiba (25,77%) e Goiânia (25,12%).
A cebola segue o mesmo caminho, crescendo 23,03% em todas as Ceasas analisadas. No entanto, a Conab traz uma perspectiva otimista: a disponibilidade do bulbo deve aumentar nos próximos meses, impulsionada por Santa Catarina, responsável pela maior parte do abastecimento nacional, que registrou uma produção 13,1% superior à da última safra.
Raio-X das Hortaliças (Média de Abril)
Mercado internacional e combate à inflação
Se o mercado interno enfrenta oscilações de oferta, as exportações brasileiras celebram bons resultados. Em comparação ao primeiro quadrimestre de 2025, o volume exportado cresceu 12%, alcançando um faturamento de US$ 532,3 milhões. Apenas em abril, 456 mil toneladas foram embarcadas para países da Europa, Ásia e para os Estados Unidos. As frutas foram o grande destaque da balança comercial do setor, lideradas pela maçã, seguida por melão, manga, melancia, abacate e banana.
O 5º Boletim Prohort foca na análise dos produtos com maior peso no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e destaca, em sua edição atual, o papel estratégico da Conab e das Ceasas na formulação de mecanismos para mitigar os efeitos da inflação sobre os alimentos.